Caso Thiago Faria: jurados se reúnem para deliberação

Tréplica só terminou no início da madrugada desta sexta-feira; resultado deve sair ainda hoje

Implantação do programa depende da consolidação do acordo com a Marinha para a liberação dos terrenos para fins comerciaisImplantação do programa depende da consolidação do acordo com a Marinha para a liberação dos terrenos para fins comerciais - Foto: Felipe Ribeiro/Arquivo Folha de Pernambuco

Na madrugada desta sexta-feira (28), ocorreu a tréplica do julgamento de três dos cinco acusados de envolvimento na morte do promotor Thiago Faria em outubro de 2013. Julgamento ocorre na sede da Justiça Federal, situada no bairro do Jiquiá, na Zona Oeste do Recife.

A tréplica da defesa teve início por volta das 22h dessa quinta-feira (27) e só terminou por volta da 0h30 desta sexta. São acusados José Maria Pedro Rosendo Barbosa e Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva, conhecido como Passarinho. Um dos acusados, Antônio Cavalcante Filho, irmão de José Maria Cavalcante, está foragido da Justiça Federal. Também réu, José Maria Domingos Cavalcante teve o julgamento adiado - está preso no Centro de Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima - e agora ele será julgado agora no dia 12 de dezembro.

No momento, os jurados se reúnem para deliberação. O resultado do julgamento tem previsão de sair ainda nesta madrugada.

No início da tréplica, o primeiro advogado de defesa a rebater as acusações da acusação, realizada na réplica do julgamento, Fernando Muniz, começou a fala tentando convencer os jurados a absolver os réus com base no "In dúbio, pró réu". Em sua fala, ele segue a linha de raciocínio adotada anteriormente: a de que querem condenar Zé Maria por seu passado. O advogado de Mané Pedo alegou que “não é punindo inocente que vai se fazer Justiça”. Ele enfatizou que, em caso de dúvida, se absolve o réu.

José Rawlinson Ferraz, advogado de Adeildo Ferreira dos Santos, continuou se concentrando em mostrar Adeildo como uma pessoa frágil, ingênua, "matuta", que nunca teve ligação com o crime e que nunca teve o apelido de matuto. Ele disse que o réu não esteve em Águas Belas e e que por isso não há provas que o coloquem lá. Na réplica, o procurador da república Fabrício Carrer, responsável pela acusação, confundiu o nome de um dos réus: chamou Adeildo de Adeilson. A defesa dele aproveitou o "ato falho" para ironizar a acusação. “O procurador não pode pedir uma pena de 70 anos pra Adeildo se nem sabe o nome dele”, afirmou o advogado José Rawlinson. "Rapaz humilde, inocente, estou dizendo a vocês do fundo da alma que esse rapaz não deve", alegou.Ele ainda enfatizou que o cliente não têm antecedentes criminais.

O último a falar foi o advogado João Olimpio Mendonça, que representa José Maria Pedro Rosendo Barbosa. Assim como os demais defensores, ele argumentou que, com a preocupação em dar uma resposta rápida à sociedade, Edmacy Ubirajara (cunhado de Zé Maria) foi preso como "bode espiatório" e que Zé Maria não pode ser julgado por ter inimizade com familiares de Mysheva.

Novamente, ele voltou a colocar em dúvida a versão da noiva do promotor na época, a advogada Mysheva Martins. Um dos pontos em que tocou para apontar que o fato não ocorreu exatamente como Mysheva contou foi o fato de a marcha do carro automático - em que a vítima estava – estar em “ponto p”, que para veículos automáticos é usada para estacionar. O advogado alega que, pouco após o crime, de forma "midiática" a polícia apresentou Zé Maria como autor intelectual e Edmacy como executor do crime, ficando provado que Edmacy estava em outro lugar e era inocente.

Mendonça lembrou não ter sido encontrado sangue nem na sandália e nem na bolsa de Mysheva Martins. "Na parte do passageiro foi encontrado no assoalho uma sandália e uma bolsa marrons. Houve alteração do local do crime, com realocação desses objetos", diz, lendo documento da perícia anexado ao inquérito, acrescentando que isso fez os peritos concluírem que esses objetos não estavam dentro do carro. "Não fui eu que concluí. Isto está aqui no exame de local de homicídio", complementou.

Acusação

O advogado de Mysheva, José Augusto Branco, faz um aparte dizendo que perito que elaborou laudo em 3D explica a respeito da falta de sangue nos objetos da então noiva da vítima. "O perito, que é doutor em medicina legal, explicou que houve um espirro de sangue para o lado esquerdo e que depois houve um gotejamento. O senhor está querendo confundir", afirmou Branco. 

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