Cemit apura se ataque a estudante em Boa Viagem foi provocado por filhote de tubarão

Presidente do comitê acredita que outro animal marinho pode ter atacado Arthur Andrade, de 21 anos

Praia de Boa ViagemPraia de Boa Viagem - Foto: Paulo Almeida/Folha de Pernambuco

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit) apura se o ataque ao estudante Arthur Andrade, de 21 anos, foi provocado mesmo por um filhote de tubarão. O rapaz, que também é surfista, tomava banho de mar em Boa Viagem, próximo ao hotel Grand Mercure Atlante Plaza, quando sentiu a mordida na mão direita.

O presidente do Cemit, coronel Clóvis Ramalho, informou que dados foram levantados junto à vítima, familiares, hospital e comerciantes que atuam no ponto que Arthur esteve. Porém, adiantou que, pelas características do corte, pode tratar-se de um outro animal marinho. Ele, inclusive, acredita que a mordida pode ter sido provocada pelo peixe barracuda, encontrado desde canais de mangue até em mar aberto. Esse tipo de peixe prefere proximidade a recifes e formações rochosas, característica do trecho que o estudante tomou banho.

"Porém, só os estudos podem dar uma maior precisão. Ele teve um pequeno ferimento no dedo anelar e o corte foi superficial. Além disso, torna-se um pouco estranho porque filhotes de tubarão costumam fugir, com medo. Não há registro de ataque por filhote", afirma o coronel Clóvis Ramalho.

Desde 1992, 24 pessoas morreram vítimas de ataques no litoral pernambucano, segundo dados do Cemit. Caso seja confirmado que o rapaz foi atacado por um tubarão, ele entra na estatística como a 62ª vítima. "Porém, continuaremos atuando como já fazemos. Nossos salva-vidas monitoram a orla permanentemente", reforça Ramalho, salientando que a forma como ocorreu o ataque também deve ser posta em questão. "Geralmente, as pessoas saem da água atordoadas. Arthur saiu da água sem pedir amparo".

À Folha, o rapaz explicou que, apesar de a área possuir placas alertando para o perigo de ataques, ele decidiu entrar, já que era acostumado a se banhar na localidade. "Eu estava com a água na cintura. Foi quando vi uma movimentação estranha na água, não sei se era um cardume de peixes. Aí, nadei de volta para a praia, mas, quando botei a mão para trás para pegar impulso, senti a mordida", detalhou.

Protótipo
Após análise de seis propostas para conter os ataques de tubarão na costa, a vencedora do edital da Facepe foi um protótipo de sistema para rastreamento automático de objetos a partir de imagens de câmeras espalhadas nas praias da Região Metropolitana do Recife. A utilização desse sistema permitiria que um alerta fosse emitido, caso algum banhista ultrapasse um perímetro considerado seguro. "O prazo para o pesquisador apresentar o protótipo é de 18 meses. Já se passaram seis. Estamos acompanhando", garante Ramalho.

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