Cerca de 400 famílias ocupam terreno na avenida Recife

De acordo com os ocupantes, o espaço caiu em desuso há pelo menos 15 anos

Ocupação da avenida Recife, ao lado do Wall MartOcupação da avenida Recife, ao lado do Wall Mart - Foto: Brenda Alcântara/ Folha de Pernambuco

Na expectativa de conseguir uma moradia, cerca de 400 famílias de várias comunidades da Zona Sul do Recife ocupam, desde a última segunda-feira (12), um terreno abandonado que fica na avenida Recife, localizado no bairro de Areias. A área seria da rede Wallmart. De acordo com os ocupantes, o terreno está em desuso há, pelo menos, 15 anos. No Recife, o déficit habitacional atinge cerca de 300 mil pessoas.

Na manhã desta sexta-feira (16), várias pessoas chegavam ao local. A maioria das famílias é de pessoas em situação de rua, ou desempregados que vivem de aluguel em outras comunidades da Zona Sul da capital pernambucana - Caçote, Areias, Chico Mendes, Beirinha, Inocop, Iraque, Vila dos Carneiros, Vila Tamandaré, entre outras. Antes, no local, funcionava uma Central de Armazenamento e Distribuição de materiais da rede de supermercados, segundo a empresa responsável.

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As famílias, ainda sem um teto, permanecem no local dormindo no chão, sem higiene ou saneamento básico. Crianças, mulheres grávidas, idosos e famílias inteiras integram os novos moradores da comunidade que, agora, já se chama Novo Caçote. “O nome é porque essa área já foi do Caçote e fomos retirados para construírem o Wallmart”, declarou Elias Ferreira, de 47 anos, que é uma das pessoas que perdeu a casa quando o retiraram do local na década de 80.

“Estou pegando o que é meu por direito. Quando tiraram minha família eu era criança e não conhecia os meus direitos. Hoje é diferente. Quero ver a escritura que prova que eles são os donos porque eu estava antes e tenho a posse tanto quanto eles”, complementou Elias Ferreira.



A área é extensa e vai da avenida Recife até a avenida Capitão Gregório de Caldas. A comunidade começou quando cerca de 40 famílias entraram no terreno, na noite da última segunda, no desespero de conseguir um lugar fixo de moradia. “Ninguém aguenta mais pagar aluguel de R$ 400 para viver em favela não. Aqui estamos todos desempregados e nossa saída foi aproveitar o abandono desse terreno”, observou uma das líderes do movimento, uma mulher identificada como Prazeres, 40. “O choque veio aqui e tentaram nos tirar na bala e não conseguiram. Estamos por necessidade e nem com bala vão nos tirar. É questão de sobrevivência”, complementou a mulher.

A representante Prazeres tem propriedade para falar do assunto. Portada de uma lista com os nomes de cada integrante do movimento, afirma que o lugar vai crescer exponencialmente. “De ontem para hoje já foram mais 133 famílias que chegaram. Gente que traz o que pode para ajudar o pessoal aqui. Somos uma grande família e todos se ajudam”, complementou.

O trabalho no local não para. Os ocupantes seguem 24h por dia capinando, aterrando o terreno e removendo entulhos, para que se torne habitável. Com a falta de material e dinheiro para produzir os abrigos, os ocupantes estão pedindo o auxílio da sociedade, como doações ou qualquer outro tipo de ajuda, inclusive de mão de obra. Os principais pedidos são para suprir as mais de 50 crianças que estão no local. Entre os materiais mais emergenciais estão fraldas, colchões, alimentos e lonas.

As crianças de todas as idades se amontoam para dormir na única estrutura de alvenaria coberta, que já estava construída no local. A Walmart confirmou que o terreno em questão pertence à empresa. Em nota, o grupo disse que está tomando todas as medidas legais cabíveis para resolver a situação no menor prazo possível. No entanto, preferiu não se pronunciar sobre que fim a área tinha atualmente e nem a extensão do espaço.

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