Chico Buarque é toda a sua essência poética no show 'Caravanas'

O carioca fez o primeiro show da turnê do novo álbum, no Teatro Guararapes, quinta-feira (3)

Chico Buarque matou um pouquinho das saudades que deixou nos pernambucanos Chico Buarque matou um pouquinho das saudades que deixou nos pernambucanos  - Foto: Felipe Souto Maior/Divulgação

O apurado de seis anos longe dos palcos parece que deixou Chico Buarque ainda mais musical, inspirado e malandro. A volta a Pernambuco, em sua primeira apresentação da temporada da turnê “Caravanas”, no Teatro Guararapes, quinta-feira (3), mostrou que o público estava mesmo morto de saudades do carioca. Sem muitas firulas, ele seguiu o roteiro previsto para o show, em que faz um mix dos sucessos do novo álbum com aqueles clássicos que estão na memória de todos. Ora sentado, ora em pé; ora com violão, ora sem, Chico não destoa -tampouco chega a ousar- do que sempre foi: um poeta por vocação, um romântico por natureza e um músico genial. 

Abriu com “Minha Embaixada Chegou”, de Assis Valente, e já foi emendando com “Mambembe”. Em seguida, “Partido Alto”, também gravada e igualmente adorada na voz de Cássia Eller, veio com uma brincadeira. O verso “Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio” foi acompanhado de um “sou não”.

Ora com violão, ora sem; ora em pé, ora sentado, o carioca emocionou com novos sucessos e clássicos da carreira

Com ou sem violão; em pé ou sentado, o carioca emocionou com novos sucessos e clássicos da carreira - Crédito: Felipe Souto Maior/Divulgação  

Seguindo a ordem natural da apresentação, vieram “Casualmente”, “A Moça do Sonho”, com uma ode a Edu Lobo, e “Retrato em Branco e Preto”, em reverência a Tom Jobim. “Desaforos” acendeu a plateia, de onde se ouviam algumas vozes femininas gritando: “lindooo”. “Injuriado” já não causou o mesmo frisson. A iluminação do palco, mesclando entre o vermelho, azul e verde, dava o tom caloroso que o momento pedia. Todo retorno de um querido tem disso. “Dueto”, do novo álbum, que ele canta originalmente com a neta, Clara, teve de ser entoada pela companheira de banda, Bia Paes Leme. A lindeza foi a mesma. 

O combo “A Volta do Malandro” e “Homenagem ao Malandro” ativou a veia política do público, que intercalou “Fora Temer” com “Lula Livre”. Nesse momento ainda timidamente. “Palavra de Mulher”, “As Vitrines” e “Jogo de Bola” fecharam um momento do espetáculo, que continuou com “Massarandupió”, canção que tem um valor sentimental muito forte para Chico. A praia homônima, na Bahia, é importante para a família Buarque. Foi lá, por exemplo, que a filha do cantor, Helena, enterrou o cordão umbilical de seu filho, Chico Brown.

A iluminação do palco dava o tom acolhedor ao show

A iluminação do palco deu o tom acolhedor ao show - Crédito: Felipe Souto Maior/Divulgação

“Outros Sonhos” relembrou a delícia do disco “Carioca”, de 2006. Depois, “Blues pra Bia” levou o público de volta ao álbum “Caravanas”. Foi com “A História de Lily Braun” que Chico fez o momento mais dançante do show. Era possível enxergar as pessoas se movendo nos assentos. Seguindo o script, “A Bela e a Fera”, “Todo o Sentimento”, a polêmica “Tua Cantiga” e “Sabiá” vieram em seguida, estas duas últimas divididas por um grito, de uma voz masculina, que dizia: “Chico, você é foda”. As outras músicas foram vindo como boas doses de melodia, com “Grande Hotel”, “Gota d’Água” e a tão esperada “As Caravanas”. “Estação Derradeira” acendeu o alerta de que o show estava chegando ao fim. E foi com a música que abriu a apresentação, “Minha Embaixada Chegou”, que Chico encerrou.

O adeus e o curto tempo fora do palco, para voltar para o bis, foram a abertura de que a plateia precisava para puxar o “Olê, olê, olá, Lula, Lula”. O som ecoou no teatro, preencheu cada espaço do ambiente. Na volta, os músicos ainda acompanharam parte do coro com instrumentos. Mas pararam. Era hora de Chico retornar. A clássica “Geni e o Zepelim” e “Futuros Amantes” foram as escolhidas. Mas, felizmente, não parou por aí. Pernambuco foi privilegiado com mais uma canção no repertório. A surpresa de ver o cantor voltar ao palco depois do bis foi geral. “Paratodos”, de 1993, com toda a sua brasilidade, foi a escolhida. Foi na sua despedida da noite que Chico correu de um lado a outro do palco, aos 73 anos, com a disposição e a energia de quem ainda joga bola.

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