MUNDO

Chile alerta Interpol sobre sequestro de ex-militar venezuelano opositor de Maduro no país

Ronald Ojeda foi retirado de seu apartamento por quatro criminosos que se passaram por policiais

Foto: Reprodução/Internet

O subsecretário do Interior do Chile, Manuel Monsalve, afirmou, na tarde desta quarta-feira, que o governo solicitou um alerta internacional à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), além do reforço da guarda nas fronteiras, após o sequestro de um ex-militar venezuelano no país.

O caso ocorreu por volta das 3h15 da madrugada de terça-feira para quarta-feira, quando o ex-militar, Ronald Ojeda, estava em seu apartamento, no 14º andar, na comuna de Independencia, Zona Norte de Santiago.

Segundo um vídeo das câmeras de segurança do prédio, que circula nas redes sociais, Ojeda foi levado por quatro criminosos que se passaram por funcionários da Polícia de Investigações do Chile (PDI).

Após ter identificado Ojeda, o governo chileno não especificou há quanto tempo o ex-militar estava no país e se ele havia chegado a Santiago como refugiado político. Monsalve destacou que a informação, por lei, não pode ser tornada pública.

Assim como outros casos de sequestro, a investigação foi classificada como sigilosa tanto pelo Ministério Público chileno, quanto pela Brigada Antissequestro (BIPE) da Polícia Investigativa do país.

"Como muitas hipóteses foram levantadas, o governo também leva em consideração todos os cenários possíveis", disse o subsecretário em comunicado do Palácio de La Moneda depois de uma reunião com os ministros do Interior, Carolina Tohá; da Justiça, Luis Cordero, e das Relações Exteriores, Alberto Van Klaveren.

Uma das hipóteses, difundida pelo ex-comissário de segurança venezuelano Iván Simonovis, membro da oposição ao governo Maduro, é que o sequestro tenha sido parte de uma operação orquestrada pela Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) da Venezuela.

O jornal chileno La Tercera aponta que Ojeda é um dos 33 militares que, em 24 de janeiro, segundo o ministro da Defesa do governo de Nicolás Maduro, Vladimir Padrino, foram expulsos das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) sob a acusação de conspiração.

 

Horas depois do sequestro, um carro, que pode estar relacionado ao crime, foi encontrado na comuna de Renca carregando um colete supostamente da Polícia de Investigação (PDI) e um capacete à prova de balas.

A investigação é conduzida pelo promotor Héctor Barros, que coordena a Equipe de Crime Organizado e Homicídios (ECOH) da Região Metropolitana de Santiago. A ECOH é uma unidade criada em novembro após o aumento sem precedentes de crimes do tipo no país.

Com cautela, Monsalve disse ainda que "nesses casos, o que importa é a proteção da integridade física da possível vítima e de sua família”. “Portanto, o sigilo da investigação ordenada pelo Ministério Público deve ser respeitado", continuou.

O subsecretário acrescentou que o governo pediu aos Carabineros, a polícia militar chilena, e à Polícia de Investigação (PDI), que reforçassem o controle das fronteiras na quarta-feira de manhã.

Também informou que o Ministério da Defesa solicitou um reforço nos controles em diferentes pontos ao longo da fronteira com a polícia marítima, responsável pelos portos; com a Diretoria de Aeronáutica Civil (DGAC), que supervisiona os aeroportos, e com os chefes das Forças Armadas, posicionados no extremo Norte do Chile.

O senador Francisco Chahuán, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado chileno, disse que o caso de Ojeda "é uma situação delicada”: — Temos estado em contato permanente com o governo. É um fato que deve ser investigado rapidamente e com grande rigor, devido às diferentes teses que têm sido veiculadas.

O partido de oposição venezuelano Voluntad Popular emitiu uma nota sobre o caso para "alertar a comunidade internacional" em que menciona a hipótese de que o sequestro tenha sido orquestrado pelo governo Maduro. "Se a notícia for confirmada, estaremos falando do uso do território soberano de outros Estados para práticas de espionagem e agressão contra refugiados venezuelanos que escaparam de um regime torturado e repressivo", disse.

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