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China alerta EUA para risco de "conflito"

As relações se degradaram novamente no mês passado, depois que os Estados Unidos derrubaram um balão chinês supostamente usado para fins de espionagem

Presidentes da China e dos Estados Unidos, Xi Jinping e Joe BidenPresidentes da China e dos Estados Unidos, Xi Jinping e Joe Biden - Foto: Selim Chtayti/Pool/AFP | Brendan Smialowski/AFP

A China acusou os Estados Unidos nesta terça-feira (7) de alimentar as tensões entre as duas potências e alertou para o risco de um "conflito" e um "confronto".

As disputas entre Pequim e Washington aumentaram nos últimos anos sobre questões como Taiwan, a soberania no Mar da China Meridional, o desequilíbrio na balança comercial ou o tratamento da minoria muçulmana uigure.

As relações se degradaram novamente no mês passado, depois que os Estados Unidos derrubaram um balão chinês supostamente usado para fins de espionagem, algo que Pequim nega.

O ministro das Relações Exteriores da China, Qin Gang, considerou nesta terça-feira que "se os Estados Unidos continuarem no caminho errado e não pararem, nenhuma barreira poderá impedir o descarrilamento" das relações entre Pequim e Washington.

Se isso acontecer, "inevitavelmente haverá conflito e confronto", acrescentou Qin, em coletiva de imprensa.

"Quem sofrerá as consequências catastróficas?", perguntou o ministro, à margem da sessão anual do Parlamento.

Na véspera, o presidente Xi Jinping lamentou a "contenção" e a "repressão" dos ocidentais contra a China, citando os Estados Unidos, e pediu ao setor privado mais inovações para que o país seja menos dependente do exterior.

As ambições de Pequim para desenvolver tecnologia de ponta esbarram nas restrições cada vez maiores de Washington e seus aliados, o que leva as empresas chinesas a redobrar os esforços para prescindir de importações cruciais.

"Desafios"
China e Estados Unidos travam uma batalha acirrada pela fabricação de semicondutores, componentes eletrônicos indispensáveis para o funcionamento dos smartphones, veículos conectados ou equipamentos militares.

Em nome da segurança nacional, Washington multiplicou nos últimos meses as sanções contra os fabricantes de semicondutores chineses, que agora não podem obter tecnologia americana.

"Os fatores incertos e imprevisíveis aumentaram consideravelmente para a China", declarou Xi Jinping na sessão legislativa anual em Pequim, de acordo com uma publicação da agência estatal Xinhua na segunda-feira à noite.

"Países ocidentais liderados pelos Estados Unidos iniciaram uma política de contenção, cerco e repressão contra a China, que provocou severos desafios, sem precedentes, para o desenvolvimento do nosso país", acrescentou o presidente de 69 anos, que deve obter um terceiro mandato durante a sessão parlamentar anual.

"Diante das mudanças profundas e complexas, tanto a nível internacional como na China, devemos permanecer tranquilos, concentrados... atuar de forma proativa, demonstrar unidade e ousar lutar pelo sucesso", disse Xi.

"Neomacartismo histérico"
O chanceler chinês defendeu que as relações entre Pequim e Washington deveriam ser baseadas no "interesse comum e amizade, e não na política interna americana e esta espécie de neomacartismo histérico", em referência à caça às bruxas contra o comunismo da década de 1950 nos Estados Unidos.

Qin, que foi embaixador em Washington, também lamentou as recentes acusações de alguns países ocidentais - sem provas, segundo ele - de que a China pretende fornecer armas à Rússia para a guerra na Ucrânia.

Em coletiva de imprensa, o ministro disse que a China não aceitará "nem as sanções nem as ameaças" dos Estados Unidos e de seus aliados.

Em fevereiro, Pequim apresentou um documento de 12 pontos que classificou de solução política ao conflito. O texto pede o respeito à integridade territorial de todos os países e faz um apelo por diálogo.

Qin Gang afirmou que a China "não está na origem nem faz parte da crise e não forneceu armas a nenhuma das partes", e pediu negociações de paz "o mais rápido possível".

A relação entre Pequim e Moscou não constitui uma "ameaça para nenhum país do mundo", sublinhou.

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