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China critica Biden por comparar Xi Jinping a "ditadores"

Rússia também criticou comentários de Biden

Secretário de Estado americano, Antony Blinken, se encontra com presidente da China, Xi Jinping, em PequimSecretário de Estado americano, Antony Blinken, se encontra com presidente da China, Xi Jinping, em Pequim - Foto: Leah Millis/AFP

Os sinais de apaziguamento não duraram muito. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, equiparou seu homólogo chinês, Xi Jinping, a "ditadores", o que a China classificou como "ridículo" e uma "provocação política".

Ao discursar na terça-feira (20) em um evento de arrecadação de fundos no norte da Califórnia, Biden afirmou que Xi ficou irritado com um incidente ocorrido em fevereiro, quando um balão chinês - que Washington afirma ter sido usado para espionagem - sobrevoou os Estados Unidos antes de ser abatido por caças militares americanos.

"A razão pela qual Xi Jinping ficou muito chateado quando eu derrubei aquele balão cheio de equipamentos de espionagem é que ele não sabia que estava lá", disse Biden.

"Eu estou falando sério. Isso é a grande vergonha para os ditadores, quando eles não sabem o que aconteceu".

"Aquilo não deveria estar indo para onde foi... e ele não sabia disso", continuou Biden sobre Xi. "Quando (o balão) foi derrubado, (Xi) ficou muito envergonhado e negou que estivesse lá."

As declarações foram criticadas pela China, que considerou o comentário de Biden "ridículo".

"Este comentário da parte americana é realmente ridículo, muito irresponsável e não reflete a realidade", declarou Mao Ning, porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

"É uma provocação política", acrescentou o porta-voz.

A Rússia também criticou os comentários de Biden. O Kremlin afirmou que as declarações refletem a política externa "imprevisível" de Washington.

"Esta é uma manifestação muito contraditória da política externa dos Estados Unidos", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

- "Bom trabalho" -
O comentário de Biden aconteceu pouco depois de o secretário de Estado americano, Antony Blinken, concluir uma visita de dois dias a Pequim na segunda-feira, a primeira de um chefe da diplomacia dos Estados Unidos em quase cinco anos.

O encontro de Blinken com Xi Jinping foi elogiado pelos dois países como um sucesso após meses de tensão, apesar da persistência de profundas divergências.

O presidente americano também disse que a China e Xi agora estão "em uma situação na qual ele quer ter uma relação novamente" e elogiou o "bom trabalho" de Blinken em Pequim.

Biden, no entanto, advertiu que "vai levar tempo" para apaziguar as tensões entre as duas potências globais.

Joe Biden, de 80 anos e que pretende disputar a reeleição, também citou as preocupações a respeito do país asiático e declarou aos doadores que "a China enfrenta dificuldades econômicas reais".

A rivalidade entre China e Estados Unidos virou uma crise diplomática aberta com o episódio do balão em fevereiro.

O presidente americano mencionou outro ponto de divergência com a China: o encontro de cúpula de maio em que os líderes da Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos - grupo conhecido como "Quad" - criticaram a política de Pequim na região Ásia-Pacífico, que consideram uma fonte de instabilidade.

Os quatro países "trabalham lado a lado no Mar da China Meridional e no Oceano Índico", disse Biden, para quem a demonstração de unidade entre os quatro países foi o que "realmente contrariou" o presidente chinês.

O discurso de terça-feira não foi o primeiro comentário polêmico de Biden durante uma arrecadação de fundos, que geralmente são eventos pequenos, sem câmeras ou gravadores, nos quais os jornalistas escutam e transcrevem as declarações iniciais do presidente.

Em um evento similar em outubro do ano passado, Biden citou a ameaça de um "apocalipse nuclear" provocado pela Rússia.

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