Guerra na Ucrânia

China pede negociações 'diretas' entre Rússia e Ucrânia

"Encorajamos negociações diretas entre a Rússia e a Ucrânia", disse Wang a Blinken, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, aparece em uma tela enquanto faz um discurso remoto na abertura de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, após a invasão russa na Ucrânia, em Genebra, em 28 de fevereiro de 2022O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, aparece em uma tela enquanto faz um discurso remoto na abertura de uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, após a invasão russa na Ucrânia, em Genebra, em 28 de fevereiro de 2022 - Foto: Fabrice Coffrini / AFP

A China pediu neste sábado (5) negociações "diretas" entre a Ucrânia e a Rússia, em uma conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, no décimo dia do conflito no Leste Europeu.

Esta conversa representa a primeira ligação entre os chefes da diplomacia das duas grandes potências mundiais desde que a Rússia iniciou sua ofensiva contra a Ucrânia.

Após o início da intervenção russa, que enfrenta forte resistência das tropas ucranianas, a China adotou uma posição intermediária diplomática, recusando-se a condenar o ataque russo depois de ter oferecido amizade "ilimitada" à Ucrânia e à Rússia um mês antes.

"Encorajamos negociações diretas entre a Rússia e a Ucrânia", disse Wang a Blinken, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

"Esperamos que os combates parem o mais rápido possível e assim evitar uma crise humanitária em grande escala", acrescentou o chanceler chinês, que reconheceu que as negociações entre a Rússia e a Ucrânia não serão uma tarefa "fácil".

Blinken afirmou a seu colega chinês que "o mundo está observando quais países defendem os princípios básicos de liberdade, autodeterminação e soberania", segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Enquanto os Estados Unidos e muitos países ocidentais anunciaram duras sanções contra a Rússia, a China ainda hesita em considerar a crise russo-ucraniana como uma guerra.

"A diplomacia não pode ser apenas europeia ou americana, aqui a diplomacia chinesa tem um papel a desempenhar", defendeu o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, em entrevista publicada no jornal espanhol El Mundo.

Em sua conversa com Blinken, Wang disse que a resolução do conflito estava "intimamente relacionada aos interesses de segurança de ambos os lados".

Wang garnatiu ainda que os Estados Unidos, a Otan e a União Europeia devem negociar com a Rússia e "levar em conta o impacto negativo da expansão da Otan para o leste no espaço de segurança da Rússia", uma das principais exigências do presidente russo, Vladimir Putin.

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