TRIPLA SOBREVIVÊNCIA

Choque elétrico, câncer e mordida de tubarão: André Luiz comemora seu terceiro "milagre"

Homem de 32 anos foi mordido por tubarão cabeça-chata de 2,5 metros enquanto surfava na Praia de Del Chifre, em Olinda

Aos 32 anos, André Sthwart Luiz Gomes da Silva já sobreviveu a um choque elétrico, câncer e mordida de tubarão, respectivamenteAos 32 anos, André Sthwart Luiz Gomes da Silva já sobreviveu a um choque elétrico, câncer e mordida de tubarão, respectivamente - Foto: Alexandre Aroeira/Folha de Pernambuco

Um choque elétrico. Um câncer. E agora, a mordida de um tubarão cabeça-chata. Esses são três episódios que marcam a trajetória de vida de André Sthwart Luiz Gomes da Silva, de 32 anos, que encara a atualidade como sobrevivência ao “terceiro milagre” que recebeu.

Com a perna esquerda enfaixada e coberto por esperança, o homem está na casa da mãe se recuperando do incidente que aconteceu no último dia 20 de fevereiro, enquanto surfava na Praia de Del Chifre, em Olinda, e foi surpreendido com a mordida de um tubarão cabeça-chata de 2,5 metros. A prática esportiva é proibida na região desde 1999.

Ele relembrou o momento exato em que foi mordido, e a ajuda dos amigos que também estavam na praia naquela hora. “Eu vi a jogada do rabo dele na água e depois senti uma puxada. Foi um choque e a ‘ficha caiu’ na hora que era um tubarão, ainda cheguei a dar um murro nele. Gritei por socorro e meus amigos me ajudaram a sair e foram estancando o sangue que eu estava perdendo”, disse.

Ainda enquanto recebia os primeiros socorros dos amigos, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram ao local, e o conduziram até o Hospital da Restauração (HR), no Recife. 

“Era uma dormência misturada com ardência e dor”, disse André. 

No Hospital da Restauração, ele passou por uma cirurgia que durou quase seis horas e afastou a necessidade de amputação da perna. A alta médica aconteceu no primeiro dia de março, e desde então André vem recebendo cuidados na casa da mãe, através da esposa Munick Rafaela Castro e dos cinco filhos do casal, tanto de forma presencial como virtual. Além do tratamento em casa, ele precisará ser acompanhado no setor ambulatorial da unidade de saúde em que ficou internado.

"Está sendo bastante doloroso ainda. A perna dói bastante, principalmente entre os intervalos dos remédios, mas eu estou conseguindo mexer o pé”, comemorou. 

Tubarão que mordeu André era da espécie cabeça-chata e media cerca de 2,5 metrosTubarão que mordeu André era da espécie cabeça-chata e media 2,5 metros (Foto: Alexandre Aroeira/Folha de Pernambuco)
 

A rotina após a mordida do tubarão teve que ser adaptada por inteira e vem sendo marcada por desafios para André, que detalhou sobre ter que tomar banho no terraço, atrás de uma cortina improvisada pela esposa. “Eu botei uma almofada no pé direito, encostei as costas na grade e comecei a tomar banho”, descreveu.

Porém, ter que se refazer em meio às dificuldades não é algo novo na trajetória do surfista, que já superou um choque elétrico e um câncer no abdômen. Ambos na época da infância. 

O choque que sofreu partiu de uma instalação elétrica feita de forma irregular, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. “Eu fiquei preso na parede e também vi que poderia morrer ali. Foi no Ibura, na casa da minha avó. Acho que eu tinha uns 10 anos de idade. Fiquei preso no ‘macaco’ que meu avô tinha colocado no poste”, afirmou.


Com a mão direita presa a um contato de alta tensão, ele ainda pediu ajuda a um primo mais novo. Mas sem efeito. “Peguei um celular e fiquei achando engraçado a tela que ficava laranja acendendo e quando fui botar pra carregar, fiquei preso. Meu primo que tinha quatro anos e hoje é falecido, estava comigo na cama. Eu dizia pra ele chamar vovó, já com a vista fechando, mas ele ficava sorrindo, achando que era brincadeira minha”, disse. 

O alívio chegou através de um outro primo, que morava no interior de Pernambuco à época e não costumava ir ao local em que André estava, já com os dedos queimados. “Foi quando chegou um primo meu do interior, que só ia nessa casa da minha avó de anos em anos. Ele entrou no quarto e me salvou. Meus dedos já estavam com muitas bolhas e queimaduras, foi por pouco, porque choque também é fatal”, complementou aliviado.

André está se recuperando na casa da sua mãe, que fica na cidade de Olinda (Foto: Alexandre Aroeira/Folha de Pernambuco)


Cerca de um ano depois, ele teve outro desafio à porta, que se estendeu pelo período de cinco anos. Nesse intervalo, ele passou mais tempo em uma clínica tratando um câncer no abdômen que em sua própria casa. E outra vez sobreviveu para contar mais essa história. 

“Já tive um tumor com 11 anos de idade. Passei por um tratamento por cinco anos, e esse foi mais um milagre. Comecei indo para casa de ano em ano, depois de seis em seis meses, e por último, de três em três. Foi assim até acabar todo o tratamento”, relembrou.  

E mesmo o andamento no tratamento contra a doença avançando, a tarefa não se tornou mais leve, sobretudo para a mãe de André.

“Eu perdia muito cabelo, e uma vez minha mãe disse que ia ao banheiro e voltou com os olhos inchados, e ali eu sabia que ela estava chorando. Mas eu sempre me mostrei forte. Tudo é como Deus quer. Eu venci um câncer”, comemorou André mais uma vez. 
 

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