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Chuveirões de Boa Viagem sem previsão de instalação

Equipamentos automáticos deveriam ter sido implantados desde outubro de 2017, mas os chuveirões aguardam licitação para concluir segunda fase da obra

Pesquisa da UFPE constatou, novamente, a contaminação da água dos dispositivos improvisadosPesquisa da UFPE constatou, novamente, a contaminação da água dos dispositivos improvisados - Foto: Rafael Furtado

Com previsão de entrega inicial para outubro do ano passado, depois para dezembro e, em seguida, para março deste ano, a obra de implementação de chuveirões automáticos na orla da praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, agora se encontra suspensa e sem previsão de conclusão. A primeira fase do projeto - os sete reservatórios que alimentarão os 55 pontos duplos dos 110 chuveirões - já foi concluída. No entanto a segunda fase, que consiste na instalação dos equipamentos, necessita de um processo licitatório, que só será iniciado após o período eleitoral.

Os dispositivos, que seriam abastecidos pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), deveriam resolver o problema de contaminação na água dos chuveirões presentes na areia, constatado novamente por estudos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). De acordo com a professora orientadora da pesquisa, Silvana Calado, a amostra avaliou também a água dos banheiros públicos localizados no calçadão da região para, na comparação dos materiais, verificar se vinham do mesmo lençol freático que a dos chuveirões na areia.

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No material coletado, estão presentes nitrato, salinidade, sólidos totais dissolvidos, coliformes totais e coliformes fecais. Desses, apenas os sólidos totais se encontravam em conformidade com a legislação, constatando, assim, a contaminação e indicando ainda que seus índices estariam maiores do que os da primeira pesquisa, realizada há quatro anos. Todas as análises seguiram metodologia do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA, 2017).

O estudo constatou ainda que “os valores de nitratos e salinidade encontram-se acima do que é proposto pelas legislações de águas salobras e água potável”. E no que diz respeito aos parâmetros microbiológicos, tanto os chuveirões quanto os banheiros estão em desconformidade com suas respectivas legislações (RDC 357/05 e a Portaria 2914/11), sendo assim consideradas pela pesquisa prejudiciais à saúde. Vale ressaltar que, segundo a Compesa, as águas analisadas na pesquisa fazem parte dos 57% não fornecidos pela companhia, que atende apenas para 43% do Recife. Em outras palavras, apenas essa parcela possui saneamento, no qual o bairro de Boa Viagem não está incluído.

A reportagem percorreu os sete quilômetros da orla e falou com turistas, barraqueiros e banhistas. A maioria dos entrevistados não tinha conhecimento nem sobre a primeira pesquisa realizada em 2014. “Nunca ouvi falar de água contaminada em nenhum momento. Deveria ser água da Compesa, não é? Cabe à Prefeitura dar o seu apoio para acabar com o uso da água do poço”, disse a comerciante Aldenir de Oliveira. Os banhistas lamentam que a água esteja contaminada, pois “eles são a única alternativa para aqueles que querem se refrescar e tem medo de entrar na água por conta dos tubarões, sem falar nas crianças porque nos chuveiros tínhamos certeza de que elas estavam brincando em segurança”, afirmou estudante Tahyna Barros.

Em nota, a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco (Seturel-PE) esclareceu que já foram implantados, com recursos do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), os sete reservatórios de água que alimentarão os 55 pontos duplos dos 110 chuveiros previstos no projeto. Agora, com recursos próprios, a Seturel contratará uma empresa para executar a instalação dos chuveirões.

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