Cidade da Guatemala dá início à construção do primeiro teleférico urbano da América Central
Sistema 100% elétrico promete reduzir o tempo de deslocamento em até 75%, aliviar o congestionamento e integrar a rede de transporte público da capital
A Cidade da Guatemala deu início à implantação do AeroMetro, que será o primeiro sistema de transporte público por teleférico da América Central. O projeto, segundo a prefeitura, busca transformar a mobilidade urbana ao reduzir significativamente o tempo de viagem, diminuir o congestionamento e oferecer uma alternativa sustentável e silenciosa de deslocamento em áreas de alta demanda.
As obras começaram no primeiro mês do ano, com a execução das fundações das estruturas principais. De acordo com o prefeito Ricardo Quiñónez, o avanço já é visível. “A boa notícia é que já começamos, estamos progredindo. Basicamente, é o trabalho de fundação; vocês verão as primeiras torres”, afirmou. O cronograma oficial prevê que a primeira fase entre em operação em 2026 ou, no mais tardar, no primeiro trimestre de 2027.
Capacidade, integração e prazos
Na fase inicial, a Linha 1 ligará a Plaza España a El Trébol, com quatro estações ao longo do trajeto. O sistema contará com 450 cabines elétricas, cada uma com capacidade para 12 passageiros, e poderá transportar até 374 mil pessoas por dia, segundo dados divulgados pela administração municipal.
A velocidade média será de 23,4 km/h, permitindo viagens de menos de dez minutos entre as extremidades do corredor, com impacto direto em eixos como a Avenida Roosevelt. Há previsão de expansão, com a inclusão de oito novas estações até Molino de las Flores, em Mixco.
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O AeroMetro foi concebido para operar de forma integrada ao Transmetro, conectando-se às linhas 7, 12 e 13, além de ciclovias e corredores metropolitanos, consolidando um modelo intermodal. A tarifa seguirá valores de mercado, sem subsídios estatais, o que permitirá aos usuários escolher entre o novo sistema e outros meios de transporte já existentes.
Do ponto de vista financeiro, o investimento estimado é de 1,216 bilhão de quetzales, cerca de US$ 159 milhões, sob um contrato de concessão de 25 anos financiado integralmente com capital privado nacional e internacional, conforme informações oficiais. A prefeitura afirma que não haverá uso de recursos públicos e que todo o risco econômico ficará a cargo da concessionária.
Além da mobilidade, o município destaca impactos socioambientais, como geração de empregos, acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida e melhora da qualidade de vida urbana. Em relação ao meio ambiente, a prefeitura informou que o corte de 721 árvores necessário para a obra será compensado com o plantio de 3.500 novas mudas, além da ampliação de programas de reflorestamento e espaços ecológicos. Entre as ações já realizadas, está a recuperação do aterro sanitário, onde foi implantada uma floresta em uma área de 3 mil metros quadrados com mais de 3.500 plantas, segundo a assessoria de imprensa municipal.
A administração local afirma que o AeroMetro se soma a outras iniciativas, como o transporte elétrico TuBus, a criação de parques ecológicos, a recuperação de ravinas e campanhas de engajamento cidadão, a exemplo do programa “Adote uma Árvore”. Com o projeto, a Cidade da Guatemala busca se posicionar na vanguarda regional do transporte público sustentável, alinhando crescimento urbano e estratégias de proteção ambiental.

