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Ciro prioriza redutos petistas para tentar estancar adversário

Até o final de setembro, Ciro aumentará agendas de campanha no Nordeste e no Norte, regiões onde petistas costumam ter melhor desempenho em disputas presidenciais.

Ciro acusou homem de ser ligado ao senador e desafeto Romero Jucá (MDB)Ciro acusou homem de ser ligado ao senador e desafeto Romero Jucá (MDB) - Foto: Nacho Doce

Por uma vaga no segundo turno, o candidato do PDT à sucessão presidencial, Ciro Gomes, iniciou estratégia para tentar brecar transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A última pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (14), mostra um empate técnico entre os dois candidatos de esquerda, que apresentam 13%, atrás apenas de Jair Bolsonaro, do PSL, com 26%.

Até o final de setembro, Ciro aumentará agendas de campanha no Nordeste e no Norte, regiões onde petistas costumam ter melhor desempenho em disputas presidenciais. O Nordeste foi a região em que Haddad mais cresceu nesta semana em que foi confirmado como candidato no lugar de Lula: de 13% na segunda (10) para 20%, ultrapassando numericamente Ciro, que agora tem 18%, mas empatando com o pedetista na margem de erro de dois pontos.

No Norte, Haddad cresceu dois pontos e Ciro caiu dois, dentro da margem de erro, resultando em empate técnico. Ciro pretende, nas duas regiões, adotar uma espécie de discurso híbrido. A ideia é que, ao mesmo tempo em que reforce a defesa do ex-presidente petista, ele aumente as críticas aos erros do partido, buscando, assim, avançar sobre parcela dos eleitores lulistas, mas sem atrair a rejeição da sigla.

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A avaliação na equipe de campanha é de que o período de transição na campanha petista deve durar cerca de duas semanas, intervalo em que os eleitores começarão a associar de maneira mais clara a imagem de Lula a de Haddad.

Neste período, o desafio de Ciro é o de evitar que os votos de eleitores de Lula que ainda estão voláteis desde sua saída do quadro eleitoral se tornem convictos em Haddad. Caso eles se cristalizem, o diagnóstico é de que dificilmente podem ser revertidos.

Hoje, 28% dos eleitores que dizem que pretendem votar em Haddad admitem que podem escolher outro candidato no primeiro turno, universo que será o foco de atuação de Ciro. O índice, porém, já é menor que os 33% do último dia 10.

Nesta sexta-feira (14), o pedetista iniciou um périplo pelos estados do Norte, que se estenderá até o início da próxima semana. A agenda de campanha inclui corpo a corpo com eleitores, eventos com candidatos locais e carreatas com aliados.

Na sequência, a ideia de Ciro é de desembarcar novamente no Nordeste, região que percorreu na semana passada. Ele pretende visitar a Bahia, o Piauí, Alagoas e Pernambuco. "O desafio dele é, sem ser petista, ganhar voto do PT. E, sem ser antipetista, ganhar o voto de quem rejeita o PT", resumiu o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Entre os eleitores que dizem preferir o PT, Ciro, no entanto, viu suas intenções de voto caírem de 18% para 14%, e a rejeição subir de 14% para 17% nos últimos quatro dias.

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