Cláudio Jr. alega inocência dele e do pai na morte de Artur Eugênio

Filho do médico acusado de ser o mentor da morte de Artur Eugênio acusa Braz, agora morto, pelo crime

Claudio Ferrario entra em cena no monólogo "Martelada", que foi inspirado em conversa com o mestre MarteloClaudio Ferrario entra em cena no monólogo "Martelada", que foi inspirado em conversa com o mestre Martelo - Foto: Nilton Pereira/Divulgação

Em cerca de duas horas de interrogatório na tarde deste sábado (24), o réu Cláudio Amaro Gomes Júnior alegou a inocência dele, do pai - o médio Cláudio Amaro Gomes - e do colega Lyferson Barbosa da Silva no assassinato do médico Artur Eugênio, ocorrido no dia 12 de maio de 2014 em Pernambuco. Os três, além de Jailson Duarte César e Flávio Braz, foram acusados do crime. O julgamento de Cláudio Jr. e Lyferson, iniciado na última quarta-feira (21), acontece no Fórum de Jaboatão dos Guararapes - município onde o corpo do cirurgião foi encontrado, no Grande Recife.

Amaro Jr. foi o primeiro réu a depor, na noite deste sábado. Depois dele, o outro acusado, Lyferson, é interrogado. A previsão é de que, neste domingo (25), ocorra o debate entre os advogados de defesa e de acusação e, em seguida, a juíza Inês Maria de Albuquerque Alves profira a sentença.

O julgamento de outros dois acusados - o médico Cláudio Amaro Gomes, que seria o mandante do crime, e Jailson Duarte César, que teria sido pago para contratar os matadores - ainda não tem data para ocorrer. O quinto envolvido, Flávio Braz, foi morto em uma troca de tiros com a Polícia Militar, no dia 8 de fevereiro de 2015.

Interrogatório


O interrogatório de Cláudio Jr. começou com a juíza Inês Maria de Albuquerque Alves, que o questionou sobre como ele havia conhecido Artur Eugênio, Cláudio Jr. disse que tinha sido no Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP). A magistrada pediu detalhes, mas ele disse que não gostaria de falar, pois o assunto "mexia muito" com ele.

Sobre o dia da morte de Artur, ele também foi evasivo. Disse que chamou Flávio Braz - outro acusado pelo crime - para ir ao hospital com ele por segurança. Segundo Cláudio Jr., ele ia falar com Artur sobre a forma que ele, Artur, tratava o pai de Cláudio, o médico Cláudio Amaro Gomes. Contou ainda que Flávio ficou no carro e ele foi encontrar o médico, porém, como não o encontrou, voltou para o veículo. Terminou dizendo à juíza que não queria falar mais nada sobre aquele dia.

Interrogado pela promotora Dalva Cabral, Cláudio Jr. afirmou haver presenciado, em dois momentos, Artur Eugênio "tratando mal" o pai dele. Uma dessas ocasiões, segundo ele, foi na recepção do HCP, quando Artur disse "Você vai se arrepender de ter feito isso comigo". O outro momento, de acordo com ele, foi na passarela do Hospical das Clínicas, quando o médico, ao cruzar com Cláudio Amaro, teria comentado com um colega: "Isso é Um mau caráter".

Questionado sobre quem matou Artur Eugênio, Cláudio Jr. acusou Flávio Braz, um dos acusados do assassinato e que foi morto numa troca de tiros com a Polícia Militar em 2015. Ele contou que soube da morte do médico no dia seguinte, em reportagem exibida na televisão. Também negou haver no carro dele algum vasilhame - as investigações apontaram que haveria um recipiente para atear fogo no carro.

Em seu depoimento, Cláudio Amaro Jr. contou ser hoje amigo dos acusados e, quando perguntado sobre a relação dele com o pai no Cotel, afirmou ser ruim porque "pai dele estava ali por culpa dele já que ele teve a ideia de dar um susto no médico. Cláudio Jr. atestou a inocência do pai: "Ele não tem nada a ver com a morte do Dr. Artur". Ainda também disse que Lyferson Barbosa da Silva não participou do crime.

Depoimentos


Mais cedo, houve mais depoimentos exibidos em vídeo. Um deles foi o de Eduardo Vasconcelos, advogado de Artur Eugênio em um processo administrativo para recorrer de decisão de Cláudio Amaro Gomes reprovando o estágio probatório de Artur no Hospital das Clínicas. Segundo o advogado, Artur dizia não entender a situação e se sentia perseguido, achava que era devido a uma inveja profissional ou medo de perder espaço no hospital.

Também falou por vídeo o anestesista Tiago Guimarães Andrade, colega de Artur Eugênio. Eles trabalharam juntos em São Paulo. Tiago afirmou que o convite de Cláudio foi o principal motivo para Artur vir para o Recife, onde os dois trabalharam juntos.

Tiago disse que presenciou desentendimentos entre os dois médicos durante alguns processos cirúrgicos. Segundo ele, Artur discordava de condutas de Cláudio e de honorários que não correspondiam à sua função.

Entenda o caso

O médico Artur Eugênio de Azevedo, 35 anos, foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. O corpo do cirurgião foi encontrado na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro Gomes e a vítima. De acordo com os autos, Cláudio Amaro Gomes, apontado como o mandante do crime, teria contado com a ajuda do filho Cláudio Amaro Gomes Júnior para executar o plano de homicídio.

Cláudio Júnior teria pagado Jailson Duarte César para contratar outros dois homens – Lyferson Barbosa da Silva e Flávio Braz – para matar Artur Eugênio. Menos de um ano depois do crime, Flávio Braz foi morto numa troca de tiros com a Polícia Militar, no dia 8 de fevereiro de 2015.

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