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RIO DE JANEIRO

CNJ determina correção de Certidão de Óbito das vítimas da cachina de Acari

Luís Roberto Barroso pediu desculpas aos familiares dos mortos

CNJ determina correção de certidão de óbito das vítimas da cachina de Acari, ocorrida em 1990; Luís Roberto Barroso pediu desculpas aos familiares dos mortosCNJ determina correção de certidão de óbito das vítimas da cachina de Acari, ocorrida em 1990; Luís Roberto Barroso pediu desculpas aos familiares dos mortos - Foto: Reprodução/Coletivo Fala Akari/arquivo

O Conselho Nacional de Justiça ( CNJ) determinou nesta terça-feira (19) que a correção da certidão de óbito dos 11 jovens desaparecidos na chacina de Acari, ocorrida em 1990, no Rio de Janeiro. Os novos documentos devem identificar que a causa da morte foi violenta e causada pelo Estado brasileiro. 

A decisão atendeu a uma sentença do ano passado da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que reconheceu a responsabilidade Estado brasileiro pelo desaparecimento, bem como por falhas nas investigações do crime e dos homicídios de duas familiares.

O texto foi aprovado por unanimidade. O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, pediu desculpa às famílias, em nome do Estado brasileiro. 

— Declaro a resolução aprovada e, em nome do Estado brasileiro, peço desculpas às famílias de todas as vítimas — afirmou Barroso. 

Familiares das vítimas acompanharam a sessão e aplaudiram o resultado. 

Em 2022, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei que prevê uma reparação financeira aos familiares. A correção da certidão de óbito é necessária para o acesso à indenização. 

Relembre o caso
Em 26 de julho de 1990, homens encapuzados, dizendo-se policiais, invadiram uma casa num sítio na Estrada Fim da Picada, no distrito de Suruí, em Magé. Depois de revirarem o imóvel em busca de joias e dinheiro, os criminosos levaram com eles oito adolescentes e três adultos que moravam em Acari e tinham ido passar o fim de semana no lugar.

Apenas a dona do sítio e um neto conseguiram escapar, porque pularam a janela e se esconderam da quadrilha.

Os reféns foram obrigados a entrar numa Kombi. Três dias depois, o carro foi encontrado queimado e sujo de sangue. Um ano após o crime, o Serviço Reservado da PM concluiu que o crime fora praticado por PMs e policiais civis. Mas, como os corpos não foram encontrados, o caso nunca passou da fase do inquérito por falta de provas.

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