CNS diz que ações de Bolsonaro na pandemia de coronavírus são genocidas

No documento, o conselho ainda chama de "desastrosa" as políticas do ministro da Economia

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Evaristo Sá/AFP

O CNS (Conselho Nacional de Saúde) lançou carta aberta na qual chama de "irresponsáveis, criminosas e genocidas" as atitudes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perante à pandemia de Covid-19.

No documento, o conselho ainda chama de "desastrosa" as políticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, para mitigar os efeitos econômicos da crise gerada pelo novo coronavírus.

O grupo, uma instância deliberativa e permanente do SUS (Sistema Único de Saúde), ainda reitera "o alerta para que a população continue em casa, mantendo o isolamento social, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS)".

Na carta, a CNS pede a revogação permanente do teto de gastos, "aplicação imediata de dinheiro novo no SUS e aprovação de piso emergencial em 2021, com incorporação definitiva dos créditos extraordinários ao orçamento da pasta da saúde"; e a aprovação de projeto de lei "que ampare e auxilie os dependentes de profissionais de saúde que morreram e os que vierem a morrer no exercício de suas funções, em decorrência da Covid-19".

"Dada à regra do teto de gasto da União, estabelecida pela Emenda Constitucional n.º 95, que retirou R$ 22,5 bilhões do SUS desde 2018, a liberação de recursos tem sido pequena para o combate da Covid-19, quer para as ações de saúde (menos de 11% do orçamento federal) - onde a atenção primária cumpre papel essencial na prevenção e no controle do contágio, quer para as ações econômicas - contribuindo para que a adesão da população à quarentena tenha ficado abaixo dos 70% recomendado", diz o documento.

"Diante do decreto de calamidade pública, o atual ministro da Saúde, Nelson Teich, não pode omitir-se diante de tais fatos, tampouco compactuar com qualquer tipo de sabotagem ao combate à doença e à economia popular, jamais renunciando ao objetivo de salvar vidas, preservar empregos e cuidar dos profissionais da saúde", segue a carta.

"Atender a pauta econômica, sobrepondo a necessidade de zelar pela vida dos cidadãos e cidadãs, não é uma estratégia segura nem coerente neste momento. Capital se ganha, se perde e se recupera novamente, mas vidas perdidas não podem ser recuperadas."

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