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Cobradora de ônibus se inspira no cotidiano para escrever poesias

Genicleide Lima lança, nesta terça-feira (18), o seu segundo livro 'Pétalas de Gemaguili', às 18h, na Biblioteca Pública de Pernambuco

Genicleide Lima é poetisa e cobradoraGenicleide Lima é poetisa e cobradora - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

É entre um troco e outro, durante as viagens que faz diariamente na linha TI Xambá/TI Joana Bezerra, que a cobradora Genicleide Lima, 55 anos, escreve suas poesias. Em meio ao caos do trânsito e à rotina agitada da sua profissão, a inspiração vem dos mais diversos lugares e situações. Desde elementos da natureza, como o sol e o mar, a desabafos que escuta dos passageiros. "Gosto de transformar histórias tristes em alegres", conta. Diante de suas observações ela escreveu o livro de poesias "Pétalas de Gemaguili", que será lançado nesta terça-feira (18), às 18h, na Biblioteca Pública de Pernambuco, em Santo Amaro, Centro do Recife.

Quando era criança e não tinha acesso frequente a livros, a cobradora não imaginava que um dia se tornaria poetisa. Genicleide lembra que na infância usava um candeeiro para ler à noite, na casa que morava na cidade de Alhandra, na Região Metropolitana de João Pessoa, na Paraíba. "Às vezes, o vento atrapalhava um pouco, mas não desistia", falou sorrindo. Após a morte do avô, quando ela tinha dez anos, Genicleide passou a morar com a tia. "Ela me trouxe para o Recife, onde trabalhava como empregada doméstica. Eu vi que as coisas estavam apertando, então com 12 anos fui trabalhar em uma casa de família", conta.

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Poesia que cabe na sua imensidão


Mas se engana que isso a faria se afastar das letras. Entre uma atividade e outra ela aproveita para ler os livros dos patrões. "Entre os que mais lembro está a coleção de Monteiro Lobato. Eu gostava e me desmanchava naquilo. Quando chegava os jornais eu saia lendo tudo, mas o que mais me chamava atenção era poesia", recorda. Foi justamente na adolescência, quando passou a mergulhar no universo literário com mais constância, que surgiu o sonho de ser escritora. Mas com o tempo vieram outros trabalhos, o casamento, os três filhos e o desejo de escrever um livro foi deixando de ser prioridade, mas nunca esquecido.

Em 2009, ela lançou seu primeiro livro de poesias. "Na época não conhecia ninguém da área, então foi um livro fininho, mas foi a realização do meu sonho", comenta. Com o primeiro livro ela expandiu a rede de contatos. Conheceu a União Brasileira de Escritores (UBE) e a Sociedade dos Poetas Vivos de Olinda (SPVO). "Voltei a estudar, entrei na faculdade de Letras e fui colocar em prática o segundo livro", falou. Para Genicleide não é clichê dizer que a leitura transforma vidas. "Não tem outra coisa que mude a sociedade se não o estudo, a leitura. Não significa que você vai ficar rico de repente, mas a pessoa vai tendo conhecimento das coisas e a educação faz toda diferença", afirma.

Seu jeito tranquilo e sereno destoa completamente da rotina agitada que estamos acostumados a ver no trânsito das grandes cidades, com o qual ela lida há 15 anos trabalhando como cobradora de ônibus. "A poesia é uma forma de aliviar o estresse. É o que me ajuda. Vejo alguns amigos afastados, com síndrome do pânico, por conta da rotina estressante do trabalho. Mas quando escrevo entre uma viagem e outra é como se eu me transportasse para outros lugares e estivesse ali somente o meu corpo", disse. Independente das dificuldades, ela espera inspirar outras pessoas e levar boas mensagem. "Quero que as pessoas acreditem no amor, seja ele qual for, e vivam a vida da melhor possível", disse.

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