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COI 'desperdiçou chance de mostrar empatia', diz ex-dirigente da entidade

Organizou voltou atrás e postergou decisão final sobre manutenção da Olimpíada de Tóquio

Olimpíada acontecerá em 2021Olimpíada acontecerá em 2021 - Foto: Fabrice Coffrini/AFP

O Comitê Olímpico Internacional (COI), que pela primeira vez admitiu no domingo (22) a possibilidade de adiar os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 devido à pandemia do coronavírus, "desperdiçou uma chance de mostrar empatia", criticou nesta segunda-feira (23) o suíço Urs Lacotte, ex-diretor-geral da entidade.

"A comunicação é defensiva e técnica demais, não é suficientemente próxima das pessoas nesses dias difíceis", declarou Lacotte, diretor do COI de 2003 a 2011, sob a presidência do belga Jachques Rogge, em entrevista à AFP.

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Apesar do crescente número de pedidos de adiamento lançados por atletas, federações e Comitês Nacionais Olímpicos nas últimas semanas, o COI esperou até domingo para cogitar publicamente pela primeira vez a possibilidade de que os Jogos de Tóquio não sejam disputados de 24 de julho a 9 de agosto, como previsto. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, admitiu que o adiamento "poderia ser inevitável" diante da pandemia do coronavírus.

Lacotte lembrou que foi Jacques Rogge que, em 2003, decidiu criar uma reserva financeira no COI para que a entidade pudesse se precaver de um eventual cancelamento dos Jogos. Médico de formação, Rogge até citou na época uma pandemia como um dos riscos para justificar a criação no COI de um fundo de cerca de 350 milhões de dólares para lidar com uma crise.

Lacotte, de 66 anos, acredita que "se os Jogos forem adiados, será preciso aproveitar os acontecimentos para refletir sobre as lições que o movimento esportivo pode tirar desta crise mundial".

"O esporte competitivo precisa se dar conta que a bolha crescente em que vive, com um calendário sobrecarregado, explodiu. É o momento para que o esporte se pergunte se está no caminho certo", concluiu. 

 

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