PERNAMBUCO

Com nova alta de casos da Covid-19, RMR freia avanços, e Educação segue sem prazo para volta

Secretário de Saúde disse que é preciso mais tempo de observação até o retorno das aulas presenciais

Bruno Schwambach e André Longo, gestores do Governo de PernambucoBruno Schwambach e André Longo, gestores do Governo de Pernambuco - Foto: Hélia Scheppa/SEI

Após apresentar aumento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à Covid-19, a Região Metropolitana do Recife (RMR) ficará estacionada no Plano de Convivência das Atividades Econômicas com a doença, sem qualquer avanço na próxima semana. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (30), em entrevista remota que reuniu os secretários de Saúde, André Longo, e de Desenvolvimento Econômico do Estado, Bruno Schwambach. 

"A RMR teve pequeno crescimento nos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e, por isso, vamos observar com mais atenção a tendência nessa semana. Assim, vai permanecer na Etapa 6”, disse Schwambach.  A pausa no Plano de Convivência se aplica também às zonas da Mata Norte e Sul, que compõem a chamada Macrorregião de Saúde I junto com a RMR.

No dia 20 de julho, os municípios que compõem esse grupo iniciaram a Etapa 6 do Plano de Convivência, com a reabertura dos serviços de alimentação e das academias de ginástica. Nessa última segunda-feira (27), não houve um avanço de fase propriamente dito, mas os shoppings centers receberam autorização para abrir duas horas mais cedo, funcionando desde então das 10h às 20h. 

Na próxima segunda (3), contudo, não haverá nenhuma novidade relacionada à Macrorregião de Saúde I. De acordo com André Longo, na semana epidemiológica 30, que se encerra neste sábado (1º), houve um aumento nas ocorrências de SRAG associada à Covid-19. Segundo ele, havia uma expectativa especial pelo comportamento desta semana, uma vez que a sazonalidade de infecções virais em tempos não epidêmicos tem picos até a semana 30. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, disse recentemente que a Covid-19 não é uma doença sazonal, mas uma grande onda. Falou ainda que o mundo ainda atravessa a primeira onda, podendo ela enfraquecer ou ganhar força novamente independente das estações, alertando que o verão europeu não é segurança de estabilidade, por exemplo. 

“O certo é que não há clareza se em tempos epidêmicos se reproduz a sazonalidade de anos não epidêmicos. Estamos vivendo um ano epidêmico dentro de SRAG. A gente sabe que existe um delay no numero de óbitos da semana, mas, até esse momento, vimos inicialmente uma redução ou, pelo menos, estabilidade. No entanto, em relação à SRAG (casos), tivemos um aumento de 4%, que se reproduziu com pouca intensidade em demanda no sistema de saúde”, disse Longo, explicando que esse incremento não foi uniforme em todo o Estado.
 
"Houve um incremento um pouquinho maior na primeira macro”, destacou, citando que o Agreste apresentou queda, assim como o Sertão Central (Arcoverde, Afogados da Ingazeira e Serra Talhada). Já a região do Sertão do São Francisco (Petrolina, Salgueiro e Araripina) mostrou estabilização. 

De acordo com o boletim mais recente da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), Pernambuco tem um total de 93.373 casos da Covid-19 oficialmente notificados. Desses, 69.073 pacientes estão curados, 6.526 não resistiram às complicações provocadas pela doença e 17.774 são casos ativos no momento. Entre esses casos ativos com diagnóstico já fechado para infecção pelo novo coronavírus, 4.255 são pacientes com SRAG.
O boletim cita que 361 pacientes estão em regime de terapia intensiva. No entanto, as UTIs abrigam, segundo Longo, mais de 700 internados com quadros de SRAG. Essa diferença entre as notificações do boletim e o número real de internados nos leitos para Covid-19 acontece porque muitos pacientes ainda aguardam resultado de exame laboratorial e, portanto, não são contabilizados oficialmente.

Aulas
Longo ainda adiantou que as atividades presenciais relacionadas à Educação ainda não têm um prazo para retornarem no Estado. "A Educação é, sem duvida, o maior desafio que temos pela frente nesse plano de retomada. Há posições divergentes de cientistas, pesquisadores, há muitos estudos em curso nas localidades que voltaram com esse setor. Estamos buscando recolher todas as experiências internacionais e dos locais que estão voltando. Temos debatido exaustivamente formas que nos permita fazer essa retomada com o máximo de segurança possível. Ninguém tem uma fórmula pronta. Todos os países que retornaram estão fazendo observações e é preciso ter muita cautela”, explicou o secretário estadual de Saúde.  

"A sensação da Saúde é que precisa de um tempo maior de observação. Mesmo que se divulgue um calendário, a gente precisa de um tempo a mais. Nesse momento, apontar com clareza para uma data é muito complicado. Não temos perspectiva. Tem um decreto que vence no final deste mês (nesta sexta-feira, 31). Certamente, estaremos com o secretario de Educação (Fred Amacio) para colocar nossa posição sobre a educação nesse momento”, completou. 

Recentemente, a Secretaria de Educação e Esportes do Estado publicou um protocolo setorial para que as entidades de ensino pudessem começar a se organizar para a retomada das atividades presenciais. Entre as normas, está o distanciamento entre as bancas, reduzindo, consequentemente, o número de alunos em sala, além de horários alternativos de entrada, intervalo e saída, para evitar aglomerações. 

 

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