Coronavírus

Com nova alta de contágios, Europa revive confinamento e tem toque de recolher

Mais de cinco países do Velho Continente vivem momento delicado em relação à Covid-19

Em Milão, na região da Lombardia, um toque de recolher entrou em vigor nesta quinta (22)Em Milão, na região da Lombardia, um toque de recolher entrou em vigor nesta quinta (22) - Foto: Miguel Medina/AFP

Dois terços dos franceses submetidos a toque de recolher após recorde de contágio pelo novo coronavírus. Recorde de novos casos também na Alemanha. Já Irlanda e País de Gales vivem período de confinamento. Retrato que mostra uma situação grave" na Europa, que volta a ser o epicentro da pandemia da Covid-19.

Com mais de 256 mil mortos no continente, a doença castiga até países que souberam se proteger durante a primeira onda, como a Alemanha. Mais de 1,13 milhão morreram do vírus no mundo desde o final de dezembro de 2019, segundo o balanço da AFP apurado nesta quinta-feira (22). Mais de 41,3 milhões de casos foram diagnosticados.

Nas últimas 24 horas, a Alemanha superou 11 mil novos casos e as autoridades consideram a situação "muito grave”. Agora, a chanceler Angela Merkel se limita a apelar à responsabilidade individual. Ela pede à população que permaneça em casa, na medida do possível.

Na França, nesta quinta-feira, um recorde foi quebrado, com mais de 41 mil infecções. Pouco antes desse anúncio, o primeiro-ministro Jean Castex havia estendido as regiões onde se aplica o toque de recolher noturno, que hoje afeta dois terços da população, ou seja, 46 milhões de pessoas. "As próximas semanas serão difíceis", advertiu o chefe de governo da França, que acumula 34 mil mortes.

Na Grécia, o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis anunciou, nesta quinta-feira, a introdução de um toque de recolher no sábado, em Atenas, Salônica e outras áreas afetadas pela pandemia do coronavírus. 

Portugal também bateu recorde de contaminação e, por isso, três comunas do norte, cerca 150 mil pessoas, terão de se reconfinar totalmente a partir desta sexta-feira (23), sendo os movimentos entre comunas proibidos em todo o país de 30 de outubro a 3 de novembro.

A Suíça é outro país que também conta com o civismo para frear a pandemia, mas a presidente Simonetta Sommaruga afirmou, nesta quinta-feira, que se a curva de contágios "não reduzir até a próxima quarta-feira (28), o governo terá que tomar decisões que vão mais longe".

"Uma nuvem de tristeza"
A situação é diferente na Irlanda, onde a retomada do confinamento deu ao centro de Dublin um aspecto fantasmagórico. A Irlanda é o primeiro país europeu a decretar o segundo confinamento geral. A pandemia matou quase 1.900 pessoas nesta nação de menos de cinco milhões de habitantes, segundo os números oficiais, que também mostram uma grande aceleração dos contágios: 1.167 novos casos positivos registrados na quarta-feira. 

A Lombardia, norte da Itália, adota, a partir desta quinta-feira, um toque de recolher das 23h às 5h durante as próximas três semanas. Na Campânia (sul), onde fica a cidade de Nápoles, o presidente da região, Vincenzo De Luca, anunciou a proibição de sair de casa a partir de sexta-feira, às 23h.

A Itália registra quase 10 mil infectados por dia e a Lombardia, onde fica Milão, é a região mais afetada do país, como aconteceu no início da pandemia, em fevereiro e março.

A situação também é grave na Espanha, o primeiro país da UE e o sexto do planeta a superar a marca de um milhão de contágios. As autoridades espanholas adotaram novas restrições, com o fechamento parcial de algumas cidades e regiões.

Primeira morte de um voluntário
A América Latina continua a ser a região mais afetada, em termos de mortalidade, com um total de 385 mil mortes. As infecções ultrapassam 10,6 milhões. 

Os Estados Unidos, por sua vez, são o país mais atingido no mundo, com 222.220 mortes e 8,3 milhões de infecções, seguidos por Brasil (155.403 mortes), Índia (116.616), México (87.415) e Reino Unido (44.158).

A esperança de uma vacina eficaz foi abalada pela morte no Brasil de um voluntário, um médico de 28 anos, que participava dos testes da vacina elaborada pela Universidade de Oxford contra a Covid-19, anunciaram fontes oficiais na quarta-feira.

Esta foi a primeira morte de um voluntário que participava dos testes de um dos vários ensaios clínicos ao redor do mundo. Oxford assegurou que a fase 3 dos testes da vacina, desenvolvida em parceria com o laboratório AstraZeneca, vai prosseguir, após a conclusão de um comitê independente de que não acarreta riscos para a saúde dos voluntários. 

Segundo informações preliminares, o voluntário, que morreu em decorrência da Covid-19, teria recebido aplicações de placebo. Quase 20 mil voluntários participam dos testes da vacina, incluindo oito mil pessoas no Brasil.

Enquanto isso, no Chile, a população se prepara para votar, no domingo, em plena pandemia, em um plebiscito sobre a Constituição. As autoridades já anunciaram que desinfetarão com nanopartículas de cobre 49 locais de votação do centro de Santiago.

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