Começa júri de acusado de matar modelo, em Olinda

Tatuador Emerson Du Vernay Brandão responde pelo homicídio duplamente qualificado de Danielle Fasanaro

Júri acontece nesta quintaJúri acontece nesta quinta - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Começou, na manhã desta quinta-feira (24), o julgamento do acusado de assassinar a modelo Danielle Solino Fasanaro. O crime aconteceu em junho de 2013. O tatuador Emerson Du Vernay Brandão responde pelo homicídio duplamente qualificado de Dani, como era conhecida, e pela tentativa de homicídio contra o filho da modelo, que tinha, na época, 9 anos.

O julgamento acontece na Vara do Tribunal do Júri de Olinda e é presidido pela juíza Flávia Fabiane Nascimento Figueira. Pedindo justiça, os familiares afixaram cartazes nas grades do Fórum de Olinda. Além do homicídio e da tentativa de homicídio, o acusado também responde pelo crime de constrangimento ilegal pelo emprego do uso de arma e por uso de documento de identidade alheio.

A primeira testemunha, irmã da vítima, Michele Fasanaro, foi interrogada. As perguntas giraram em torno dos nomes falsos que o acusado usava e como era o relacionamento da vítima com ele. Falou-se também do consumo de drogas do acusado e, possivelmente, da vítima. O filho da vítima não veio depor, mas Michele, sua tia, respondeu a uma pergunta sobre o que ele teria dito no momento em que Emerson matou a mãe. "Olha o que os ETs fizeram" foi o que Emerson Du Vernay teria dito a criança.

Na audiência foi mostrado um vídeo do interrogatório do filho de Michele, que foi assassinada cerca de um mês atrás. No vídeo, ele explica o momento em que chegou ao local do crime e Emerson tentou contra a sua vida. Ele conta também quando entrou na casa e percebeu o corpo [de Danielle] só de calcinha na sala. Mas acredita que ela tenha sido morta no quarto, onde existiam rastros de sangue.

Também foi mostrado um vídeo do filho de Danielle sendo ouvido. Na gravação, a criança contou que acordou e percebeu muitas roupas espalhadas com sangue. Foi ao quarto e encontrou a mãe deitada no chão. Emerson disse ao menino que ela estaria dormindo. Nesse momento, ele apontou a arma para a cabeça e o pescoço do menor. A criança contou também que o acusado tinha muitos nomes, mas pedia para ser chamado de André.

A criança estaria morando com a mãe há cinco meses, quando Danielle retornou de São Paulo. Um dia antes de morrer, a mãe disse ao garoto que ela poderia aparecer morta. A criança contou também que o casal brigava muito com xingamentos e gritos diariamente, e as brigas eram "assustadoras". Declarou também ter passado fome e sede junto com a mãe. Inclusive, uma vez, chegou a dividir o seu café da manhã com a mãe que estava morrendo de fome. De acordo com o garoto, mesmo o acusado tendo mostrado ter muito dinheiro para ele, tinha pouca comida na casa.

Por volta das 17h30, o julgamento se encontra na fase da réplica da promotoria. A acusação ainda pode falar por 30 minutos. Em seguida, a defesa do réu tem a possibilidade de solicitar a tréplica e conta com uma hora para expor seus argumentos. Só depois disso o conselho de sentença se reúne para decidir o veredicto.

O defensor público José Fabrício informou que vai focar na aplicação justa da pena. "Vamos proceder com a defesa técnica voltada para a justiça. O objetivo é dar ao réu, no limite da culpabilidade do que ele efetivamente praticou, a aplicação justa para o ato", comentou o defensor, que comentou que há alguns excessos na forma como a denúncia e, posteriormente, a pronúncia abordaram os fatos de 2013.

José Fabrício informou que o tatuador assume o crime. "Ele assumiu, em juízo, a autoria do homicídio consumado. Mas há alguns pontos importantes a serem abordados como a tentativa de homicídio ao menor, o disparo de arma de fogo, o porte de arma e outras dinâmicas qualificadoras que a defesa irá trabalhar", comentou o defensor.

O júri teve início com o sorteio de sete jurados, entre os 25 presentes. No início, haverá o interrogatório do réu. Em seguida, o debate entre o promotor e a defesa. Cada um tem até 1h30 para expor seus argumentos. Depois, poderá haver a réplica para o promotor, que dura até 1h, e a tréplica para a defesa, com a mesma duração.

Entenda o caso - Emerson Du Vernay Brandão é acusado de ter mantido Danielle Solino Fasanaro, 35 anos, e o filho de 9 anos (Luigi Fasanaro, do primeiro casamento dela) em cárcere privado por quase três horas. Durante o cárcere, Emerson é acusado de ter assassinado a modelo.

O crime ocorreu em 19 de junho de 2013, no Edifício Estrela do Mar, onde a família morava. O sequestro terminou por volta das 13h30, no momento em que Emerson foi preso com um revolver de calibre 38 pela Polícia Militar, que tentava negociar com o rapaz.

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