Comida: como evitar o desperdício?

No último dia da série, a Folha mostra que é possível diminuir o desperdício de comida.

Nutricionista mostra que frutas são subaproveitadas. É possível utilizar cascas e sementes Nutricionista mostra que frutas são subaproveitadas. É possível utilizar cascas e sementes  - Foto: Rafael Furtado

Aproximadamente um quarto da comida produzida para o consumo humano é perdida segundo o vice-presidente da WRI para alimentação, Craig Hanson. Num cenário de fome, como é previsto para 2050, o desperdício é inadmissível. Combatê-lo é uma das prioridades sugeridas pelos pesquisadores. “A perda ocorre em toda a cadeia. Dos plantios até o garfo. Reduzir o desperdício em pelo menos 25% até 2050 diminuiria escassez de comida em 12%”, contabiliza.

Em todos os estados, há um Banco de Alimentos do Serviço Social do Comércio (Sesc) que trabalha com esse intuito. Principalmente recebendo comida sem potencial comercial, que seria desperdiçada, e distribuindo para 402 instituições de caridade, entre elas hospitais filantrópicos, abrigos e creches. Em Pernambuco, a sede fica dentro do Centro de Abastecimento e Logística (Ceasa). O banco tenta diminuir a perda em dois pontos importantes da cadeia: a que ocorre nos centros de abastecimento e a que ocorre na casa dos consumidores (sobram ainda os desperdícios sentidos nas colheitas e no transporte). No Ceasa, coletam comida que não foi vendida.

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De empresas alimentícias, recebem produtos diversos. “Se um lote perde o lacre, o estabelecimento comprador não tem interesse. Eles mandam para nós. Depois de a seleção perder por 7x1 em 2014, recebemos uma carreta com um produto feito para a copa, porque ninguém queria mais comprar”, explica a coordenadora do Banco, Ely Chaves. Ano passado, 1,6 mil tonelada de alimentos foram doados.

“Quando a exportação de pés de galinha para a China não esgota o estoque, a Natto doa ao Banco. Já chegamos a receber 1,5 tonelada de pés num mês.” Para receber os alimentos, as instituições têm que participar de treinamentos voltados para a diminuição do desperdício. “Fazemos cursos, como de boas práticas na cozinha e de receitas para aproveitar tudo que for possível de um alimento. Da semente até a casca. De um melão, fruta da época, por exemplo, pode ser feito leite cozinhando as sementes. Isso é muito útil para quem tem intolerância à lactose. Aquela parte branca da melancia é nutricionalmente semelhante a um chuchu e pode ser usado como ele em algumas receitas”, exemplificou.

As dicas para o consumidor estragar menos comida em casa são simples: planejar o que vai comprar, armazenar corretamente imediatamente após chegar em casa, e programar o que vai comer de acordo com o tempo de vida de cada alimento.

Para produzir substitutos, Pernambuco busca tecnologia
Além de diminuir o desperdício, também será necessário expandir e tornar mais eficiente a produção alimentos. Tanto de carne vermelha quanto dos alimentos que podem substituí-la como fonte de proteína, como mostrado no segundo dia da série Dieta do Futuro. Devido a condições climáticas, o Centro-Oeste e o Sul estão mais propensos a intensificar a produção de carne bovina, segundo o presidente da Sociedade Nordestina de Criadores, Emanuel Rocha. Pernambuco é campeão de produção de ovos e frangos para abate. Mas também tem conseguido deixar mais eficiente as fazendas de leite, importante fonte de proteínas.

“É possível, e isto já está acontecendo, melhorar a genética do gado leiteiro. Stênio Galvão, da Bom Leite, por exemplo, importou animais que trazem a certeza de qualidade na produção. Cruzamentos e inseminação artificial com os melhores espécimes também permitem que mais leite seja produzido em um mesmo espaço”, conta. Felipe Ferreira, que tem uma fazenda de camarões em Rio Formoso, na Mata Sul do Estado, percebeu na prática o aumento da produtividade com uso da tecnologia. “Consegui produzir mais depois que passamos a utilizar viveiros forrados com estufas e um sistema fechado de reciclagem de água. Em vez de circularmos a água com o meio ambiente, nós utilizamos a mesma água, tratada”, explicou.

“Não há mais espaço em Pernambuco para expandir as fazendas aquáticas.” O sistema fechado de águas é tecnologia usada também para tornar a produção sustentável. Em especial protegendo os manguezais e estuários. “Os efluentes da carcinicultura podem contaminar os estuários e manguezais. Assim, trabalhar em sistema fechada, evita este impacto ambiental”, explica o professor de biologia da UPE Clemente Coelho.

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