Seg, 16 de Março

Logo Folha de Pernambuco
VERÃO

Como funciona o repelente? Dermatologista dá dicas para aumentar a proteção contra insetos no verão

Item pode ser usado como prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e febre amarela

Cosmético pode ser usado como prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e febre amarelaCosmético pode ser usado como prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e febre amarela - Foto: Freepik

O período de chuvas em maior volume somadas às altas temperaturas do verão criam um cenário de alerta para o aumento dos casos de dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos.

Além das recomendações já conhecidas para evitar a proliferação dos insetos, como remover qualquer fonte de água parada e apostar em mosquiteiros, o uso de repelentes pode ser um grande aliado na proteção contra doenças.

Como funciona a ação protetora dos repelentes? Segundo a dermatologista Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o uso causa um "efeito nuvem" em torno do corpo.

"Após aplicação na pele, o produto evapora e forma uma espécie de nuvem de aproximadamente quatro centímetros em volta da pele, o que repele o mosquito", explica a médica.

Creme ou spray: qual é melhor?
Segundo a especialista, um erro comum é aplicar o repelente por baixo de roupas, o que diminui o "efeito nuvem". O produto deve ser aplicado por cima dos tecidos ou na pele que fica exposta, como rosto, pescoço, braços, mãos e pernas.

Ela alerta que nenhum produto do tipo deve ser utilizado perto dos olhos, nariz e boca, pois pode irritar as mucosas, por isso, aconselha a manter os repelentes do tipo spray longe do rosto.

"O ideal, para o rosto, é utilizar o produto em creme, que facilita a aplicação, evitando essas áreas mais sensíveis. Já para o corpo, a versão em spray é muito prática. E se for utilizar o spray para o rosto, aplique nas mãos primeiro", aconselha Glauce.

Além disso, para o aumento da eficácia, o produto deve ser o último a ser aplicado na pele, após o uso de cremes hidratantes, maquiagem e até mesmo o protetor solar. O consumidor também deve estar atento à hora certa de reaplicação: enquanto o protetor solar deve ser reaplicado a cada duas horas, em média, o repelente tende a ter um tempo de duração um pouco maior, indicado no rótulo.

No entanto, em caso de reaplicação do protetor solar, o repelente também deve ser usado novamente, após o protetor, para que sua ação protetora não seja prejudicada. Segundo o Instituto Butantan, o ideal é aguardar 15 minutos entre a aplicação de cada produto e não usar o repelente mais de três vezes no dia, para evitar intoxicações.

Atenção ao rótulo
A composição dos repelentes afeta também o tempo necessário para sua reaplicação. Produtos com Icaridina, que são os mais indicados no geral, duram cerca de 10h na pele e 72h nos tecidos, enquanto aqueles com DEET na concentração de 15%, que é a indicada para adultos, mantêm o efeito por cerca de 6 horas. Já os repelentes com IR3535 são os que têm menor duração, devendo ser reaplicados a cada duas horas, pontua a médica. Após contato com água ou suor, o uso do produto torna-se necessário novamente, independente de sua composição.

"É importante ressaltar que o repelente tópico não deve ser usado na hora de dormir. Nesses casos, prefira o repelente elétrico", afirma a dermatologista.

Ela ressalta que substâncias como o DEET, a Icaridina e o IR3535 têm efeito protetor comprovado cientificamente e são amplamente indicados pelos órgãos de saúde, mas os repelentes naturais feitos com plantas, como citronela ou melaleuca, não têm garantia de que realmente funcionam contra o mosquito da dengue. A médica alerta que a eficácia desses produtos não é testada. A informação é corroborada pelo Instituto Butantan, que indica apenas os cosméticos que possuam um dos três itens na composição.

O órgão também recomenda atenção especial para a recomendação de cada fabricante, exposta no rótulo, antes do uso do produto. Outras medidas preventivas são a lavagem das mãos com água e sabão após a aplicação, e, em caso de contato com os olhos, lavar imediatamente com água corrente. Em caso de suspeita de reação adversa ou intoxicação, a área exposta deve ser lavada, e o atendimento médico é necessário, se possível, levando a embalagem do repelente.

Veja também

Newsletter