Conscientização ambiental ganha dois projetos em Pernambuco; veja fotos

Fernando de Noronha e Lagoa dos Gatos estão entre os locais que tiveram aprovadas propostas para cuidar das aves e de seu habitat

Vista geral da Serra do Urubu, no Agreste pernambucano, onde fica localizada a RPPN Pedra d’AntasVista geral da Serra do Urubu, no Agreste pernambucano, onde fica localizada a RPPN Pedra d’Antas - Foto: Save Brasil/Divulgação

Em Pernambuco, as diversas aves que habitam o arquipélago de Fernando de Noronha e os mais de 325 hectares de Mata Atlântica que compõem a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Pedra d’Antas, no município de Lagoa dos Gatos (Agreste), passarão a ter visitas guiadas. O estímulo à conscientização ambiental por meio da observação de aves foi uma forma prática encontrada pela ProScience - responsável pelo projeto em Noronha - e a Associação para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil) - em Pedra d’Antas - para envolver os amantes dos pássaros na proteção dos ambientes naturais.

A proposta está entre as dez iniciativas aprovadas pelo edital público lançado pela Fundação SOS Mata Atlântica, que destinou um aporte financeiro de cerca de R$ 30 mil para cada projeto. Os trabalhos terão início no próximo semestre. É a primeira vez que a fundação lança uma seleção voltada apenas para a integração da sociedade com Unidades de Conservação (UCs) por meio de atividades de educação ambiental.

A importância de acompanhar a presença das aves nas áreas naturais, explica uma das coordenadoras técnicas do projeto pela Save Brasil, Bárbara Cavalcante, é que elas são consideradas excelentes indicadoras de qualidade ambiental. Pelas espécies encontradas, é possível entender se a região está equilibrada ou necessita de ações de manejo. Só na Pedra d’Antas, há o registro de 280 espécies, 14 delas ameaçadas de extinção.

“As ‘passarinhadas’ (caminhadas em trilhas para a observação dos pássaros) serão feitas uma vez ao mês com a ajuda de um ornitólogo convidado. A intenção é que o especialista compartilhe um pouco de sua experiência com os moradores”, salienta a coordenadora. Lá o beija-flor-de-costas-violetas, o pintor-verdadeiro, o gavião-de-pescoço-branco e o zidedê-do-nordeste estão entre as 14 espécies ameaçadas. Pedra d’Antas, junto à RPPN Frei Caneca e outros fragmentos de mata adjacente, formam a Serra do Urubu, extensa mata com quase 1,4 mil hectares.

Em Noronha, 79 espécies de aves foram registradas na ilha, duas delas endêmicas (só achadas lá): sibito e cocuruto. Elas integram a lista de espécies ameaçadas junto ao atobá-de-pé-vermelho e o rabo-de-palha-de-bico-vermelho - espécie com registro de só seis indivíduos.

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Uma das coordenadoras do projeto pela Proscience, a bióloga Ariane Campos de Gouvêa conta que a intenção é capacitar os guias turísticos - moradores da ilha - sobre a zoologia das aves e a conservação da biodiversidade. “Ao capacitá-los, eles propagarão aos turistas todo o conhecimento científico adquirido. É plantar essa sementinha nas pessoas que não são ligadas à ciência para despertar nelas a vontade de preservar.”

IBird
No caso da Save Brasil, os dados gerados com a participação popular alimentarão a iBird - enciclopédia digital de aves que auxilia amadores e pesquisadores na coleta de informações em larga escala geográfica. A ferramenta é necessária tendo em vista que o Brasil é um dos países com uma vasta diversidade de aves no mundo - 1,9 mil espécies -, o que acarreta um alto custo nos monitoramentos e uma grande demanda por pesquisadores.

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