Conselho decide pela interdição ética dos serviços de enfermagem do HGV

Com a decisão do Coren, enfermeiros estão impossibilitados de trabalhar e caso desobedeçam a ordem poderão ser processados

Rachaduras no HGVRachaduras no HGV - Foto: Divulgação / Coren

Após a decisão unânime, o plenário do Conselho Regional de Enfermagem decidiu pela interdição ética dos serviços de enfermagem do Hospital Getúlio Vargas. No fim da tarde desta quarta-feira (4), enfermeiros do local se reuniram para receber a informação e condições de risco em que estão trabalhando.

O prédio mais novo do hospital conta com blocos G1, G2 e G3. O terceiro e parte do segundo já estão interditados pela Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe). Na noite da quinta-feira (28), estalos na edificação foram ouvidos por pacientes e funcionários e houve um abalo no piso próximo a uma área interditada anteriormente.

Com a decisão do Coren, enfermeiros estão impossibilitados de trabalhar e caso desobedeçam poderão ser processados e responder eticamente ao órgão. “Assim eles estarão botando em risco a vida deles e dos pacientes. Deixamos de ter a responsabilidade como conselho e eles passam assumir responsabilidade da vida deles”, informou a presidente da Coren, Marcleide Cavalcanti.

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Cerca de 50 profissionais na área de enfermagem estavam presentes na noite desta quarta-feira no prédio. São 138 enfermeiros e 704 auxiliares de enfermagem que trabalham no HGV.

Os blocos são responsáveis por 34 setores de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), nove salas do bloco cirúrgico interditadas, enfermaria, emergência e sala pós-operatório. Todos os leitos da UTI estavam ocupados, segundo Marcleide.

Novos pacientes não poderão ser aceitos nesses blocos. Apenas os pacientes que já estão na casa poderão ser atendidos pelos enfermeiros, esses que deverão ir para o prédio principal ou outro hospital da rede pública. A presidente do órgão falou sobre a mudança desses atendidos e funcionários do HGV, “o prazo para isso é imediato, os profissionais não podem trabalhar e eles não vão ser punidos por não estarem trabalhando. Os enfermeiros que forem chegando ao hospital receberão a notícia no quadro de aviso”, pontuou.

Os funcionários alegam não ter capacidade psicológica de trabalhar e querem preservar a integridade física. “O problema é estrutural e todos estão em pânico com medo que a estrutura venha a desabar”.

A Secretaria Estadual de Saúde emitiu, em nota, o seu posicionamento. Segue o comunicado na íntegra:

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) lamenta a deliberação do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) sobre a interdição ética dos serviços de enfermagem no Hospital Getúlio Vargas (HGV). Importante frisar que a decisão foi tomada sem nenhum embasamento técnico da área de engenharia e que a SES-PE tomará todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para garantir a assistência aos pacientes.

A unidade continua atendendo a população nas mais diversas especialidades, como urologia, neurologia, neurocirurgia, cirurgia vascular e geral, ortopedia e clínica médica. Sobre a interdição, deve-se frisar que tem alcance restrito ao trabalho dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, não alcançando os demais profissionais das equipes médicas.

Vale destacar, ainda, que a rede estadual de saúde tem dado o suporte necessário à unidade, visando garantir a assistência aos usuários do SUS em Pernambuco. A direção do HGV ainda tem dialogado, permanentemente, com as equipes da unidade e suas lideranças sobre toda a situação.

Sobre a estrutura da unidade, além do isolamento preventivo e provisório do Bloco G3, novas análises estão sendo realizadas por diversos órgãos, entre os quais o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco (CREA-PE) para averiguar a situação e dar os devidos encaminhamentos.

A Secretaria também está trabalhando em um estudo de intervenção para resolver definitivamente os problemas de acomodação estrutural do Bloco G da unidade, cujo cronograma será apresentado nos próximos dias para as entidades profissionais.

Por fim, a Secretaria Estadual de Saúde esclarece que continua monitorando permanentemente, por meio de contrato com empresa de engenharia especializada, a estrutura do prédio do HGV e todos os laudos apresentados atestam a segurança da estrutura.

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