Contrariando Bolsonaro, Mandetta mantém críticas ao uso irrestrito da cloroquina

Uso do remédio sem acompanhamento médico foi criticado pelo ministro em coletiva nesta quarta-feira (15)

Ministro da Saúde, Luiz Henrique MandettaMinistro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta - Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Em conflito aberto com o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) manteve nesta quarta-feira (15) as críticas ao uso da hidroxicloroquina para pacientes em estágio inicial do novo coronavírus e defendeu que a prescrição do remédio ocorra no âmbito da relação entre médico e paciente.

A cloroquina –substância que apresentou alguns resultados promissores para o trotamento do Covid-19, mas ainda sem eficácia científica comprovada e com relatos de efeitos colaterais –é um dos principais pontos de divergência entre Mandetta e Bolsonaro.

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"É normal que numa situação como essa as pessoas queiram se agarrar numa possibilidade de cura e solução", declarou Mandetta, durante entrevista coletiva no Planalto.

O presidente, por sua vez, é um entusiasta do medicamento e defende que ele seja administrado inclusive para casos leves da doença. Bolsonaro divulgou a droga em diversas ocasiões e atuou diretamente para importar seus insumos da Índia, ao ponto de apoiadores do mandatário passarem a usa a expressão "remédio do Bolsonaro".

"Agora tem uma outra coisa esse tratamento começou aqui no Brasil que tem que ser feito, com quem a gente tem conversado, até o quarto ou dia útil [sic] dos sintomas. Passando disso, como a evolução é muito rápida e ele ataca basicamente o pulmão, quando entrar no estado grave ou no estado gravíssimo, a possibilidade de você se curar é mínima, é quase zero", disse o presidente no início de abril, em entrevista à TV Bandeirantes.

Mandetta discordou nesta quarta de seu chefe e reafirmou que o ministério prevê o uso da cloroquina em pacientes internados, que estejam entubados ou não.
Ele disse ainda que as decisões sobre a substância precisam ser feitas no âmbito das organizações de especialistas, entre elas o CFM (Conselho Federal de Medicina).

"Eles [especialistas] se reuniram e esclareceram. Falaram [que] dar esse remédio para o cara com coronavírus, [para] quem está internado, é para ficar com o monitor. Se tiver arritmia suspende [o medicamento], mas ele [o paciente] está internado. Você vai captar [a arritmia] bem no cedo", afirmou o ministro, destacando que a hidroxicloroquina tem como efeito colateral mudanças nos batimentos cardíacos.

"Se a gente tem um remédio que pode causar uma batida diferente do coração e [pode] levar a pessoa ao CTI (Centro de Tratamento Intensivo), se déssemos para todo mundo, será que aumentaria o número de pessoas com arritmia indo para o CTI?", questionou.

Ele argumentou ainda que o uso da medicação em estágios iniciais não está proibido, mas que isso deve ser feito no âmbito da relação entre médico e paciente, que deve ser avisado de possíveis efeitos colaterais para se precaver.

"O ministério da Saúde nunca tirou isso da prateleira de ninguém", afirmou. Ele reforçou que não pretende elaborar um protocolo para a administração da substância fora do ambiente hospitalar.

Mandetta se referiu à cloroquina como mais uma "droga no arsenal" e destacou que ainda há muitas perguntas sendo feitas sobre o remédio.

"São perguntas que a ciência faz e a ciência responde. Eles afirmam a gente vai dando passos. Não se tirou prerrogativa de ninguém. Quem [o médico] achar que deve [prescrever]... Agora, oriente seu paciente, que deve saber os riscos de tudo o que está tomando e perguntar quais são as evidencias. E cada um faz a sua decisão. Nós enquanto coisa pública seguiremos essa máxima", concluiu. 

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