Pandemia

Coreia do Norte anuncia, pela primeira vez, morte por Covid, e isolamento de 187 mil pessoas

Com seus 25 milhões de habitantes não vacinados contra o coronavírus e uma deficiente infraestrutura de saúde, a Coreia do Norte pode sofrer diante de um grande surto da epidemia

Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, ordena bloqueios em todo o país após confirmação de casos de Covid-19 Líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, ordena bloqueios em todo o país após confirmação de casos de Covid-19  - Foto: Anthony Wallace / AFP

A imprensa estatal norte-coreana reportou nesta sexta-feira (noite de quinta, 12, no Brasil) que 187 mil pessoas estão "isoladas e tratadas" com febre e que seis morreram um dia após ter sido declarado o primeiro surto de Covid-19 no país desde o início da pandemia.

"Uma febre, cuja causa não pôde ser identificada, se espalhou de forma explosiva por toda a nação desde o fim de abril", noticiou a agência oficial KCNA. "Até 187.800 pessoas estão isoladas e tratadas", acrescentou, destacando que seis doentes morreram, um deles após testar positivo para a Covid.

A agência também informou que seis desses pacientes morreram, "um deles após testar positivo para a subvariante BA.2 da ômicron", cepa altamente contagiosa do coronavírus.

Desde o final de abril, "mais de 350.000 pessoas tiveram febre em um curto espaço de tempo e ao menos 162.200 se recuperaram completamente", indicou a KCNA.

 

O isolado país comunista que dispõe de armas nucleares confirmou na quinta-feira seu primeiro surto de Covid-19 e anunciou a implementação de um “sistema de prevenção epidêmica de emergência máxima” após vários doentes Pyongyang testarem positivo para o vírus.

O líder Kim Jong Un realizou uma reunião de emergência com seu gabinete político na quinta-feira e ordenou confinamentos por todo o país, na tentativa de conter a propagação da doença.

Nesta sexta, a KCNA afirmou que Kim visitou os escritórios do departamento de emergência sanitária e “percebeu a extensão nacional da Covid-19”.

Com seus 25 milhões de habitantes não vacinados contra o coronavírus e uma deficiente infraestrutura de saúde, a Coreia do Norte pode sofrer diante de um grande surto da epidemia, apontam especialistas.

"Se o número de mortes por ômicron crescer, Pyongyang pode ter que pedir ajuda à China", disse Cheong Seong-chang, do Instituto Sejong da Coreia do Sul. 

Pequim, o único grande aliado e benfeitor da Coreia do Norte, mostrou na quinta-feira sua disposição de ajudar seu vizinho. 

Mas a China, a única grande economia do mundo que mantém uma abordagem restritiva de "covid zero", está lutando em seu território com vários focos de ômicron, alguns em grandes cidades como Xangai, que estão sob rígido confinamento há semanas.

Anteriormente, a Coreia do Norte recusou ofertas de vacinas anticovid da Organização Mundial da Saúde (OMS), da China e da Rússia.

A empobrecida nação havia imposto desde o começo de 2020 um estrito bloqueio ao exterior que afundou sua economia e comércio.

Ao seu redor, países como Coreia do Sul e China viveram fortes surtos de covid-19 impulsionados pela variante ômicron. 

Segundo analistas, a experiência da China demonstra que os confinamentos não são tão úteis diante da contagiosa ômicron, mas sem vacinas e tratamentos antivirais, Pyongyang não tem muitas opções.

Horas após anunciar seu primeiro surto de covid, o regime comunista lançou três mísseis balísticos da área de Sunan, perto da capital, no 16º teste armamentício do país este ano.

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