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Coreia do Sul eleva alerta contra coronavírus e Itália estabelece quarentena

Itália se tornou o primeiro país da Europa a estabelecer medidas de quarentena

CoronavírusCoronavírus - Foto: STR / AFP

A Coreia do Sul ativou neste domingo (23) o nível de alerta máximo pelo novo coronavírus, enquanto a Itália se tornou o primeiro país da Europa a estabelecer medidas de quarentena em várias cidades. Diante do rápido aumento do número de contágios, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, decidiu estabelecer o mais elevado nível de alerta. A epidemia de covid-19 está "em um momento decisivo. Os próximos dias serão cruciais", afirmou após uma reunião do governo.

Com exceção do foco de infecção no cruzeiro "Diamond Princess" no Japão, a Coreia do Sul registra o maior número de pacientes (602 casos) depois da China. Neste domingo, as autoridades de saúde do país anunciaram mais três mortes, o que eleva a cinco o total de vítimas fatais. Também foi registrada a terceira morte entre passageiros do "Diamond Princess", informou o ministério da Saúde japonês. A vítima é um homem de 80 anos que tinha outras enfermidades. Ele foi levado de barco para um hospital depois de ter sido diagnosticado com o covid-19.

O presidente sul-coreano convocou as demais autoridades para que adotem "medidas de uma magnitude sem precedentes" após a informação de que centenas de membros de um grupo cristão foram infectados no sul do país. Mais de 9.000 pessoas estão em quarentena ou foram obrigadas a permanecer em suas casas.

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Em número de mortos, o Irã, com oito vítimas fatais, é o segundo país com mais óbitos provocados pela doença, atrás da China. De acordo com um balanço atualizado, o país, que, no sábado (22), anunciou o fechamento de escolas e universidades em 14 províncias, incluindo Teerã, tem 43 casos de contágio. A Coreia do Norte, um dos primeiros países a fechar a fronteira com a China, está a salvo do vírus no momento, mas seu sistema de saúde não estaria preparado para a epidemia, de acordo com especialistas.

Já Israel anunciou que 200 alunos de três centros de ensino deverão permanecer por 14 dias em suas casas, depois que estiveram em contato com turistas sul-coreanos que, ao retornar para seu país, foram diagnosticados com o novo coronavírus. Na Itália, o país europeu mais afetado pelo vírus, uma terceira pessoa infectada com o coronavírus morreu, disse uma autoridade regional neste domingo, enquanto o governo luta para conter um surto da doença no norte do país, com mais de 150 casos registrados desde sexta-feira (21).

O conselheiro regional da Lombardia, Giulio Gallera, disse a jornalistas que a vítima era uma mulher idosa da cidade de Crema, a leste de Milão, que também sofria de câncer. Dois outros pacientes idosos no norte da Itália morreram nas últimas 48 horas. Ainda na região norte do país, quase 52.000 pessoas acordaram neste domingo em zonas com entrada e saída proibidas, exceto em casos excepcionais, conforme anunciou o primeiro-ministro, Giuseppe Conte.

Com o fechamento de empresas e estabelecimentos, o cancelamento de eventos culturais e o adiamento de partidas de futebol, o governo italiano tenta proteger parte das regiões da Lombardia (norte) e de Vêneto (nordeste) para conter a epidemia.

A primeira medida de confinamento no mundo foi anunciada em 23 de janeiro para os 11 milhões de habitantes de Wuhan, cidade na região central da China onde surgiu a epidemia de pneumonia viral em dezembro. As imagens exibidas na TV italiana mostravam uma ausência total de barreiras ao redor das 11 localidades confinadas até a manhã deste domingo. A lei decretada pelo governo prevê sanções de até três meses para quem não cumprir a medida de confinamento.

O conselheiro regional da Lombardia, a região mais afetada, afirmou que o país tem mais de cem casos e pediu um controle maior nas fronteiras. Já o primeiro-ministro italiano advertiu que pode recorrer ao exército para vigiar os pontos de controle.
Na China, o número de mortes registradas subiu para 2.442 neste domingo, com o anúncio de 97 novas mortes. Com exceção de uma, todas aconteceram na província central de Hubei, onde está localizada a cidade de Wuhan, epicentro da doença. O ministério da Saúde local informou ainda 648 novos contágios, o que aproxima de 77 mil a quantidade de casos no país.

O número de mortes anunciada neste domingo para as últimas 24 horas segue em leve queda na comparação com a véspera (109), mas os contágios aumentaram (397 no sábado). A epidemia do novo coronavírus é "a maior emergência de saúde" na China desde a fundação do regime comunista comunista em 1949, afirmou o presidente do país, Xi Jinping, neste domingo. "É necessário aprender com deficiências expostas" na resposta da China, completou Xi durante uma reunião oficial para coordenar a luta contra o vírus, um reconhecimento incomum por um líder chinês.

Em comentários citados pelo canal estatal CCTV, Xi afirmou que a epidemia "tem a transmissão mais rápida, a maior variedade de infecção e tem sido a mais difícil de prevenir e controlar". "Esta é uma crise para nós e um grande teste", acrescentou.
Xi Jinping reconheceu que a epidemia "inevitavelmente terá um grande impacto na economia e na sociedade", mas enfatizou que os efeitos acontecerão "a curto prazo" e serão administráveis.

A expansão fora do país gera inquietação. A OMS (Organização Mundial da Saúde) teme "a possível propagação do covid-19 nos países com sistemas de saúde mais precários", advertiu o diretor geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Um estudo publicado na última sexta pelo Centro de Doenças Infecciosas do Imperial College de Londres calcula que "quase dois terços dos casos de covid-19 fora da China não foram detectados em todo o mundo".

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