Corregedoria da Secretaria da Defesa Social investiga três delegados

Procedimentos se basearam em relatório produzido pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE)

Delegada Patrícia Domingos e representantes da Adeppe em coletivaDelegada Patrícia Domingos e representantes da Adeppe em coletiva - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Três delegados são alvos de Processos Administrativos Disciplinares Especiais (PADEs) aberto pela Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS). São investigados Patrícia Domingos, que esteve à frente da extinta Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp), alvo de polêmica ao ser fechada; Wedja de Andrade e Silva e Casimiro Ulisses de Oliveira e Silva, ex-titulares da Delegacia de Crimes contra a Propriedade Imaterial (Dprim). A informação foi publicada no Boletim Geral da SDS da terça (30).

Esses processos duram entre 60 e 90 dias e as punições variam de multa, suspensão até a exclusão. Em nota, a Corregedoria disse que esses procedimentos se basearam em relatórios circunstanciados da correição extraordinária, elaborados pela Corregedoria, e em relatório do controle externo concentrado das atividades policiais, produzido pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A Corregedoria ressalta que os PADEs serão conduzidos de forma técnica e imparcial, com a garantia do espaço à ampla defesa e ao contraditório.

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Em relatório encaminhado à SDS, a 25ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, por meio de seu Núcleo de Investigação Criminal (NIC), aponta "ausência de gestão de autos e de controle de tramitação" dos inquéritos sob responsabilidade dessas delegacias, que foram incorporadas ao Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco). O levantamento do MPPE informa, por exemplo, que 249 inquéritos sob responsabilidade da Decasp estavam prescritos, ou seja, não houve condução em tempo hábil, conforme os prazos legais.

Entre as irregularidades, também são apontadas desorganização cartorária, falta de controle de procedimentos e investigações sem diligências. O relatório evidencia ainda que 75,92% de todos os inquéritos da Decasp não eram relativos a crimes contra a administração pública, mas a outros tipos de delitos, como falsidade ideológica, estelionato e furto. Em outro relatório, desta vez elaborado pela Corregedoria, foram analisados 427 inquéritos da antiga Decasp. Desses, 63,23% estavam sem qualquer movimentação há anos.

Em coletiva de imprensa realizada ontem, Patrícia Domingos disse que não foi notificada da sindicância, nem do PADE. "Eu soube pela imprensa. Fui realmente pega de surpresa. O que posso afirmar categoricamente é que não cometi irregularidade alguma. Minha reputação e o meu histórico profissional falam por mim para que nenhuma acusação desse tipo possam manchar minha imagem. Acionei o advogado para que ele proveja a minha defesa", disse.

Segundo o presidente da Associação dos Delegados de Pernambuco (Adeppe), Bruno Bezerra, os delegados Wedja de Andrade e Silva e Casimiro Ulisses de Oliveira e Silva não querem se pronunciar para não se expor. "Recebemos com muita estranhesa a instauração desses PADEs e estamos dando todo o suporte para que possamos verificar o que está por trás de tudo isso", disse.

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