Corretora denuncia agressão de namorado em quarto de motel

A corretora teria sido agredida pela primeira vez em 2016 pelo mesmo namorado e prestou queixa

Costas da corretoraCostas da corretora - Foto: divulgação/arquivo pessoal

“Ele guardou a chave no bolso da bermuda e arrancou o telefone do quarto. Nessa hora, eu vi que a coisa estava realmente muito grave”. O relato da corretora de imóveis de 43 anos demonstra o desespero de alguém que acreditou que perderia a vida pelas mãos do namorado na madrugada da última segunda-feira (10) num quarto de motel no Recife, 

Segundo a vítima, ela e o namorado, um músico de 40 anos, foram a um motel após um passeio no qual a corretora teria conversado com um amigo, na frente do próprio parceiro. Ela se surpreendeu com a reação do acusado, com quem tinha um relacionamento de cinco anos: ciúmes.

Ao chegar no motel Eros, que fica em Afogados, zona oeste do Recife, a corretora se viu entrando em um pesadelo: o namorado a xingou e agrediu com cabeçadas, chutes e, em dado momento, chegou a tentar sufocá-la com um travesseiro. Ela conta que os hematomas estão espalhados pelo seu corpo inteiro.

A vítima conseguiu avisar a uma amiga, através de mensagens pelo celular, que estava correndo perigo, mas o agressor quebrou o aparelho e também o telefone do estabelecimento, impossibilitando qualquer outra comunicação. Quando a amiga tentou contactar o motel, dando as características físicas do casal, os atendentes disseram que não poderiam fazer nada, pois não sabiam em qual quarto eles estavam. A amiga então apelou que fizessem uma ronda e tentassem escutar a vítima que estaria gritando.

“Você tem certeza que você quer me matar?”, a corretora afirmou ter perguntado ao agressor e contou ter repetido diversas vezes os nomes dos três filhos. Segundo a vítima, ela conseguiu sair do quarto do motel duas vezes, mas, antes que pudesse fugir, o namorado a pegou de volta e a trancou no aposento.

Foi somente quando a mulher disse que iria morrer se ele não a deixasse respirar que o agressor abriu a porta do quarto para que o ar circulasse. Nesse momento os funcionários a viram correr para fora do  cômodo. Segundo a corretora, ela pediu um táxi, desesperada,  e o agressor disse que iria com ela, mas os funcionários não permitiram.

Após entrar no veículo, ela teria procurado amparo, indo à casa de uma amiga, que a ajudou a seguir  para um hospital.  Em seguida, a corretora foi prestar queixa, porém, a Delegacia da Mulher de Santo Amaro estava sem delegado e sem energia elétrica, dificultando o processo. Ela ainda voltou lá e conseguiu gerar a ocorrência, mas ficou sabendo que em outras delegacias também estavam sem delegado.

A corretora teria sido agredida pela primeira vez em 2016 pelo mesmo namorado e prestado queixa. Após isso, no entanto, ela acabou o perdoando e eles reataram o namoro. Agora, o processo que ela abriu em 2016 terá a primeira audiência em setembro de 2018. A vítima permanece de cama e com medo porque e o acusado ainda não foi detido. “ Eu quero entender o porquê de ele não estar preso”, afirmou a corretora.

 

Veja também

Com forte chuva, Florianópolis registra morte de mãe e filha em desabamento de muro
Santa Catarina

Com forte chuva, Florianópolis registra morte de mãe e filha

O mau exemplo do STF na pandemia: aglomeração, omissão de diagnóstico e tentativa de furar fila
Coronavírus

O mau exemplo do STF na pandemia: aglomeração, omissão de diagnóstico e tentativa de furar fila