Craque de fino trato

Diego Souza já é o artilheiro do time na Série A do Brasileiro, é vice na briga pela artilharia.

Anna- O Perigo Tem NoiteAnna- O Perigo Tem Noite - Foto: Divulgação

Em pouco mais de duas semanas, Diego Souza presenteia a torcida do Sport com dois lances prodigiosos. Dois golaços – um contra o São Paulo, de voleio, e o desse domingo, contra o Vitória, em jogada individual. Ele já é o artilheiro do time na Série A do Brasileiro, é vice na briga pela artilharia.

A chegada de Diego ao Sport foi carregada de dúvidas. A fama de menino mau o seguia como uma sombra. Havia quem duvidasse de que não seria mais um a encher os bolsos e enganar o clube, como muitos já o fizeram, preferindo curtir as nossas praias a suar pela camisa que paga o seu salário.

Nada disso. O meia vem mostrando a cada partida que há uma identificação entre ele e a mística que envolve o Sport. Se a fama de bad boy não o acompanhasse lá no Sul talvez hoje ele estive ajudando a Seleção Brasileira sob o comando de Tite, um confesso admirador de seu futebol.

Pelos gols que vem fazendo, pelas jogadas, Diego está mostrando ao Brasil que carrega em seus pés bem mais do que a bola – ele carrega versos. O gol nos baianos foi desses que vão povoar a mente da torcida por muito tempo. Dominou a jogada do lado direito e saiu, como quem nada quer, carregando-a em direção ao centro da entrada da área, buscando o ângulo certo para disparar. Os zagueiros o cercavam, enquanto ele tocava levemente a bola. Sua simplicidade no domínio da mesma iludiu os zagueiros, que preferiram não dar o bote.

Próximo à meia lua, ele disparou um chute de perna esquerda, colocando uma curva que fez a bola passar longe do goleiro e tocar na lateral da rede, do lado direto do gol. O lance, por si só, já o consagraria. Mas o fato de ter sido simplesmente a jogada que colocou o Sport em vantagem potencializa o sentimento de idolatria do torcedor pelo ídolo. E por essas três temporadas em que defende o clube – com um breve intervalo no Fluminense – ele já entrou há tempos na galeria dos grandes meio-campistas do Sport.

Mesmo hábil com a bola, Diego Souza não é um jogador de muitas firulas. Talvez por isso mesmo surpreenda os adversários quando abre o seu repertório para enganar um rival. Pela habilidade que tem, poderia ser bem mais ousado, porém, só executa a jogada quando o lance lhe exige o recurso mais apurado – clara característica daqueles que têm com a bola uma relação de parceria, marcada pela delicadeza, pelo fino trato.

Diego vai passar, mas seu nome ficará ao lado do uruguaio Bentancor, do gaúcho Naninho, de Mauro (autor do gol do título pernambucano de 1977), de Wilson Carrasco, de Denô, de Ribamar e, mais recentemente, de Romerito. Cada um ao seu estilo, deixou uma marca no inconsciente coletivo rubro-negro.

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