Xochimilco

Cratera de vulcão inativo é palco de torneio de futebol na Cidade do México

Segundo a prefeitura da Cidade do México, a cratera do Teoca fica 2.723 metros acima do nível do mar

Vulcão Teoca, na turística região de XochimilcoVulcão Teoca, na turística região de Xochimilco - Foto: Claudio Cruz/AFP

O árbitro apita o início do jogo e a bola começa a rolar em um campo com uma característica única, pois está localizado exatamente na cratera de um vulcão inativo ao sul da Cidade do México.

Trata-se do vulcão Teoca, na turística região de Xochimilco, que com suas áreas arborizadas, seus canais e ilhas artificiais chamadas "chinampas", contrasta com o asfalto da megacidade.

"É um campo único no mundo. Tem muita vegetação, nem dá para ver que é uma cratera", diz à AFP Adrián García, jogador de 32 anos e designer gráfico de profissão.

No último domingo, Liverpool e Tepeplapa se enfrentaram pela primeira rodada da liga de torcedores Santa Cecilia, criada há mais de 60 anos e que atualmente conta com dez times.

"Antes da pandemia, tínhamos 22 times. Todos os povoados de Xochimilco jogavam", explica Joel Becerril, de 56 anos e representante da liga.

Segundo a prefeitura da Cidade do México, a cratera do Teoca fica 2.723 metros acima do nível do mar e é um atrativo para os amantes de passeios na montanha.

No entanto, as autoridades desconhecem os detalhes da atividade eruptiva do vulcão e existem discrepâncias sobre seu nome, já que alguns afirmam que significa "assento dos deuses" na língua náuatle.

O vale dentro da cratera já foi um centro cerimonial, mas após ser praticamente abandonado, foi transformado em campo de futebol.

"Deve ter uns 70 anos desde que eu era um garoto e vinha para cá. Subíamos caminhando pela trilha", explica Becerril.

A vista é monumental, o verde das árvores de copas frondosas e altas que cobrem a montanha circunda o campo de grama e terra batida marcado com cal.

Ao amanhecer, uma espessa neblina paira sobre o local, mas vai se dissipando com o nascer do sol.

É possível chegar ao topo do vulcão de carro, através de uma estrada, mas também existe uma rota de 18 quilômetros para ir a pé saindo do museu de Xochimilco.

"Fantástico, para mim é impressionante vir aqui, subir. Todo o trajeto que temos que fazer para chegar ao campo e ter um cenário muito bonito", diz Daniel Mancilla Peña, goleiro de 47 anos do Tepetlapa, que perdeu para o Liverpool por 3 a 2.

Segundo especialistas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), no sul da capital e na divisa com o estado de Morelos há mais de 200 vulcões, a maioria inativos.

A UNAM tem documentadas as atividades de pelo menos oito vulcões da cidade, todos eles monogenéticos, ou seja, que surgem e se extinguem. Os maiores são o Ajusco e o Xitle, com quase 4 mil metros acima do nível do mar.

A região metropolitana da Cidade do México, com mais de 20 milhões de habitantes, fica a 70 quilômetros da cratera do Popocatéptl, ativo desde 1994 e que em maio do ano passado registrou um aumento de suas atividades.

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