Crianças que fazem tratamento na AACD vão participar do primeiro Carnaval

Pacientes da AACD, os três foram convidados pelo Um Bloco em Poesia para desfilar na folia deste ano

Na segunda-feira da Folia de Momo, eles vão desfilar junto com as integrantes  do bloco. Um pedido feito em 2016Na segunda-feira da Folia de Momo, eles vão desfilar junto com as integrantes do bloco. Um pedido feito em 2016 - Foto: Alfeu Tavares

O Carnaval deste ano dará doces recordações a três crianças pernambucanas que nunca sentiram a emoção da Folia de Momo. Lucas, 12 anos, Júlio, 10, e Rayssa, 16, cantam, dançam e brincam co­mo toda a garotada. Em razão de suas dificuldades locomotoras aliadas à falta de acessibilidade nas cidades do Estado, entretanto, nunca puderam participar de blocos ou troças carnavalescas. Neste ano será diferente.

Os três, que fazem tratamento de reabilitação na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), foram convidados a participar do Encontro de Blocos Líricos que acontecerá no bairro do Recife Antigo na próxima segunda-feira. Ao lado de jovens senhoras vestidas de vermelho e amarelo, ajudarão a compor o “Um Bloco em Poesia” que defende a inclusão e o fim do preconceito.
Tudo começou há oito anos. Motivadas pelo carinho que sentiam por crianças, as integrantes do Um Bloco em Poesia decidiram levar a alegria do carnaval para os corredores da unidade do Recife da AACD no bairro de Joana Bezerra. Ano após ano, as senhoras que costumam levar seus filhos e netos para a folia iam para o centro médico levando confete e serpentina para animar os jovens em tratamento. No ano passado, foram tocadas por um pedido especial. “Eles disseram: ‘Por favor, leva a gente para participar do Carnaval na rua como todo mundo’. E a gente não poderia negar.
Conversamos com os pais, nos planejamos e neste ano vamos ter prazer de dançar com eles”, disse com o sorriso no rosto, a presidente do bloco, Rute Farias.
De acordo com ela, a partir do desfile deste ano, em 2018, mais crianças também poderão participar. “Eles serão fantasiados do mesmo jeito que a gente. Neste ano temos como tema ‘Poesia ao Nascer do Sol’ e, além do vermelho e amarelo do bloco, as roupas terão bastante pedraria, penas e um Sol bordado no vestido”, contou entusiasmada. “O que queremos é lutar pelos direitos dessas crianças. O preconceito é uma bobagem que não pode e nem tem por que existir. Elas estarão ao nosso lado mostrando que têm o suficiente para isso: muita alegria”, concluiu. Este ano o bloco deverá sair às 16h da Casa da Cultura, mas os três esperarão o bloco na Rua do Bom Jesus, que fica próximo ao palco instalado no Marco Zero.

Os jovens 

Júlio César, 10 anos
Desde seu nascimento Júlio César, 10, tem enfrentado ao lado de sua família uma centena de obstáculos todos os dias. Moradores do Ibura, Zona Sul do Recife, para sair de casa, precisam passar por 110 degraus que desestimulam qualquer motivo plausível para o lazer. “É difícil sair de casa e, quando saímos, os pontos de ônibus não têm estrutura e os próprios coletivos não têm espaço. Para voltar de noite fica ainda mais difícil, por isso, apesar dele amar carnaval, nós nunca vamos”, disse a mãe de Júlio, Maria do Socorro. “Gosto de música e sempre quis estar em um bloco de carnaval. Vou cantar muito”, anunciou o menino.
Rayssa Vitória, 16
Assim como Júlio, a família de Rayssa Victória, 16, também enfrenta dificuldades para sair de casa. “Moramos em ladeira de difícil acesso em Camaragibe. Ela ama carnaval, mas não tenho carro para levar ela. Estou muito feliz e grata por estas senhoras proporcionarem este momento, porque para fazer a minha filha feliz eu faço qualquer coisa”, disse dona Antônia Campos, 46. Para Rayssa, a segunda-feira está sendo muito aguardada. “Eu nunca vi o Galo e quero muito ver esse ano. Amo frevo e vou colocar uma maquiagem bem bonita para dançar a tarde toda”, afirmou.
Lucas Henrique, 12
“É triste que só tenha carnaval uma vez por ano. Deveria ser o ano inteiro porque é um momento onde as pessoas são amis felizes”, afirmou o pequeno Lucas Henrique, de 12 anos. Até hoje, segundo a mãe dele, Eleonora Correia, a família só pôde ver o carnaval pela TV e uma vez em um camarote. “Estamos muito empolgados. A gente vê pela televisão e é muito difícil. Esse ano vai ser muito legal”, afirmou Eleonora. “O carnaval tem que ter no mundo todo. As danças, o ritmo e as fantasias são emocionantes”, concluiu Lucas.

 

Veja também

Governo de Pernambuco faz nova ameaça de restringir acesso aos parques
Covid-19

Governo de Pernambuco faz nova ameaça de restringir acesso aos parques

Brasil tem 1.340 mortes e mais de 64 mil casos da Covid-19 registrados em 24 horas
Boletim Pandemia

Brasil tem 1.340 mortes e mais de 64 mil casos da Covid-19 registrados em 24 horas