Crises diplomáticas do Brasil com EUA e Argentina se agravam
Governo Lula enfrenta escalada de conflitos com Trump e Milei em meio à disputa eleitoral de outubro
As relações entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, e seu aliado argentino, Javier Milei, sofreram uma grave mudança em apenas 24 horas, dois meses antes das eleições.
O governo de Donald Trump revogou na terça-feira (4) o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, após já ter aplicado, em julho, duas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros que Lula denunciou como tentativa de interferência política.
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O Brasil também rebaixou na terça-feira sua representação diplomática na Argentina ao nível de encarregado de negócios, depois que o argentino, o ultraliberal Milei, chamou Lula de “ladrão” pela segunda vez presidente em poucos dias.
Milei é aliado de Trump, que apoiou vários candidatos de direita vitoriosos em recentes campanhas eleitorais em países da América Latina, como Honduras e Colômbia.
“Não dá para ninguém pensar que vai se intrometer, de fora, aqui” nas eleições de outubro, afirmou Lula nesta quarta-feira (5), em entrevista ao canal digital Meteoro Brasil.
Ao sancionar a embaixadora brasileira, o governo Trump “tomou uma atitude irresponsável, impensável, (...) totalmente desnecessária”, acrescentou.
A medida não implica a expulsão do representante diplomático, embora, se ela deixar os Estados Unidos, não poderá retornar ao país.
Lula enfrentou Washington desde 2025, quando Trump impôs uma primeira rodada de tarifas sobre o Brasil - posteriormente suspensa em grande parte - em represália a um julgamento por tentativa de golpe de Estado que terminou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso.
Urnas eletrônicas
Brasília negou em julho os vistos a dois funcionários americanos “que viriam para se intrometer, fiscalizar e investigar as urnas”, disse Lula nesta quarta-feira.
Uma fonte diplomática brasileira afirmou à AFP que "chamou a atenção" o fato de esses vistos terem sido solicitados um dia antes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, questionar a confiabilidade do sistema eletrônico de votação do Brasil, com observações semelhantes às que levaram à inelegibilidade política de seu pai.
O Departamento de Estado negou qualquer intenção de "minar as eleições" brasileiras e cobra do governo Lula a aprovação da nomeação de um novo embaixador americano em Brasília, argumento utilizado para revogar o visto da representação brasileira em Washington.
Urnas eletrônicas
Brasília negou em julho os vistos a dois funcionários americanos "que viriam para se intrometer, fiscalizar e investigar as urnas", disse Lula nesta quarta-feira.
Uma fonte diplomática brasileira afirmou à AFP que "chamou a atenção" o fato de esses vistos terem sido solicitados um dia antes de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, questionar a confiabilidade do sistema eletrônico de votação do Brasil, com alegações semelhantes às que levaram à inelegibilidade política de seu pai.
O Departamento de Estado negou qualquer intenção de "minar as eleições" brasileiras e cobra do governo Lula a aprovação da nomeação de um novo embaixador americano em Brasília, argumento utilizado para revogar o visto da representante brasileira em Washington.
Problemas entre vizinhos
As relações também se deterioraram com a Argentina, cujo principal parceiro comercial é o Brasil.
O governo brasileiro manterá "rebaixadas" as relações diplomáticas com o país vizinho "enquanto persistirem os ataques às instituições democráticas brasileiras" por parte de Milei, afirmou nesta quarta-feira uma fonte diplomática brasileira à AFP.
O Brasil convocou, em julho, seu embaixador na Argentina para consultas, depois que Milei chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” durante o lançamento da candidatura de seu aliado Flávio Bolsonaro, em São Paulo.
O presidente argentino repetiu essas ofensas no domingo, em uma entrevista, e, por isso, Brasília decidiu, por enquanto, não reenviar seu embaixador a Buenos Aires.
A chancelaria argentina afirmou na terça-feira que o Brasil pediu a retirada de seu embaixador em Brasília, embora uma fonte diplomática brasileira tenha dito à AFP que essa decisão cabe ao governo argentino.
Lula mantém uma relação fria com Milei desde que o ultraliberal assumiu a Presidência da Argentina, em 2023.
À frente de dois países vizinhos e parceiros estratégicos no Mercosul, os dois nunca realizaram uma reunião bilateral.

