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Crises em Colômbia, Honduras e Equador estão entre as "mais esquecidas" do mundo, diz ONG

Segundo o Conselho Norueguês para Refugiados, essa falta de atenção ao nacionalismo e ao rearmamento de nações ricas, entre outros fatores

Soldados do Exército se preparam para patrulhar as proximidades do local de um massacre em Trujillo, Honduras, em 21 de maio de 2026Soldados do Exército se preparam para patrulhar as proximidades do local de um massacre em Trujillo, Honduras, em 21 de maio de 2026 - Foto por STRINGER / AFP

As crises de deslocamento em Colômbia, Honduras e Equador estão entre as mais negligenciadas do mundo, segundo o ranking anual do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), liderado pelo Sudão e pela República Democrática do Congo (RDC).

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (4), a ONG atribui essa falta de atenção ao nacionalismo e ao rearmamento de nações ricas, entre outros fatores.

A crise na Colômbia ficou em terceiro lugar no ranking de 2025.

O país, dilacerado há mais de 60 anos por um conflito interno que envolve guerrilhas, paramilitares, narcotraficantes e forças de segurança, está, segundo a ONG, "preso em uma montanha-russa do esquecimento".

"As pessoas afetadas por esse conflito não encontraram soluções duradouras. Muitas delas são deslocadas repetidamente e ficam presas, sem perspectiva de saída", comentou Giovanni Rizzo, chefe do NRC na Colômbia.

No total, um milhão e meio de pessoas foram afetadas por conflitos e violência em 2025, três vezes mais do que no ano anterior, mas a resposta humanitária "teve apenas 28,7% do financiamento necessário", segundo a ONG.

Sudão, República Democrática do Congo e Colômbia são seguidos no ranking por Iêmen, Afeganistão, Honduras, Equador, Camarões, Nigéria e Moçambique.

A lista da ONG se baseia em três critérios: falta de financiamento humanitário, falta de cobertura da mídia e falta de vontade política por parte da comunidade internacional.

Em Honduras, a resposta humanitária recebeu apenas 11% do seu financiamento no ano passado, e o país começou 2026 excluído do planejamento internacional de resposta humanitária.

Enquanto isso, o Equador "tornou-se, em poucos anos, o país mais violento da América Latina". Em 2025, "as taxas de homicídio aumentaram 40% em comparação com o ano anterior".

"Como explicar ao mundo que uma mensagem de WhatsApp de um grupo do crime organizado tem um impacto comparável ao de uma arma? Ela força famílias inteiras a fugir da noite para o dia", afirmou Francesco Volpi, responsável da ONG no Equador.

No entanto, é o continente africano que concentra o maior número de países neste ranking, liderado pelo Sudão.

Este país, devastado desde 2023 por um conflito sangrento entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR), tem mais de nove milhões de deslocados internos, segundo o NRC.

Outros quatro milhões de sudaneses fugiram para países vizinhos e quase 19,5 milhões de pessoas sofrem de fome, acrescenta o NRC.

O secretário-geral do NRC, Jan Egeland, explicou à emissora norueguesa NRK que "os países ricos se tornaram muito mais voltados para si mesmos, mais nacionalistas".

"O rearmamento é agora uma prioridade absoluta porque precisamos garantir nossa própria segurança na Europa. Há (o presidente russo) Putin fazendo ameaças etc. Mas nos esquecemos de que haverá pandemias, fluxos migratórios e enormes perdas de vidas humanas se não investirmos na esperança em outros continentes", afirmou.

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