Cultura combate a violência
Temas como consumo de drogas e bullying são abordados nas oficinas de percussão
A educação interdimensional não se confina aos limites da escola. Na sua prática cotidiana, entra em cena também o educador familiar – pais, mães, avós, tios e todos que, em casa, possuem a missão de formar jovens. Eles participam de encontros bimestrais na escola e são chamados para construir coletivamente. “Os pais não vêm à escola apenas para discutir os problemas, mas para conhecer os avanços do aluno. E se houver algum problema em casa ou na comunidade, vamos trabalhando a questão da resiliência, para que dentro da adversidade todos possam crescer”, situa o gestor da EREM Aníbal Fernandes, Josemar de Morais.
Tal combate à adversidade se dá também com o apoio de parceiros externos, como a ONG Ruas e Praças, fundada em 1987 para trabalhar com crianças de rua e adolescentes em vulnerabilidade social. Na Aníbal Fernandes, a ONG promove oficinas de percussão e de capoeira de Angola para diminuir a violência no ambiente escolar. “O interessante é que o levantamento dos problemas a ser enfrentados, como bullying, uso das drogas e agressividade, é feito pelos próprios alunos. Eles protagonizam essa mediação de conflitos”, observa Solange Silva, membro da ONG.
Para Iracyla Veiga, “poder trabalhar temas transversais a partir da música e da dança, como o bullying e o problema de estima que ele gera, é fundamental”. A professora Maria Nazaré de Siqueira, que ensina capoeira, destaca a chance de ensinar aos alunos sobre o sentido de luta que a dança de origem africana acarreta: “Usamos o movimento para que os jovens reflitam sobre o dia-a-dia”.
