Clima

Cúpula do clima de Paris começa com apelo por 'choque de financiamento'

Países em desenvolvimento consideram difícil obter acesso a financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM)

Manifestantes climáticos derramam óleo sobre eles enquanto brigas entre policiais e manifestantes estouraram com o uso de gás lacrimogêneo durante uma manifestação nos arredores do local de Paris para a Reunião Geral Anual da TotalEnergies em ParisManifestantes climáticos derramam óleo sobre eles enquanto brigas entre policiais e manifestantes estouraram com o uso de gás lacrimogêneo durante uma manifestação nos arredores do local de Paris para a Reunião Geral Anual da TotalEnergies em Paris - Foto: Geoffroy Van der Hasselt/AFP

A reunião de cúpula de Paris que tem o objetivo de estabelecer um novo paradigma financeiro internacional começou nesta quinta-feira (22) com um apelo para que os países em desenvolvimento não sejam obrigados a escolher entre financiar a luta contra a pobreza ou a mudança climática.

"Nenhum país deve ter que escolher entre reduzir a pobreza e proteger o planeta", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, no discurso de abertura do encontro, no qual defendeu um "choque de financiamento público" e mais investimentos privados.

Quase 40 chefes de Estado, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, e líderes de organizações internacionais debaterão durante dois dias sobre apoiar os países mais vulneráveis diante do desafio duplo.

Em Roma, onde concedeu uma entrevista coletiva antes de viajar a Paris, Lula estabeleceu o tom ao afirmar que "os países desenvolvidos que desmataram suas florestas (...) e têm uma dívida histórica" devem agora "ajudar" financeiramente a América Latina e a África, "que precisam muito de investimentos e incentivos".

O objetivo do evento é revisar a arquitetura financeira internacional, que nasceu com os acordos de Bretton Woods em 1944, quando a prioridade era reconstruir a Europa, para adaptá-la aos desafios do século XXI, como a mudança climática.

A ideia, apresentada no fim de 2022 na reunião de cúpula do clima COP27 no Egito pela primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, parece ter ganhado força.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, insistiu na ideia durante a abertura da reunião em Paris ao destacar que "é necessário um novo Bretton Woods", que dependerá da "vontade política e não acontecerá da noite para o dia".

Os países em desenvolvimento consideram difícil obter acesso a financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), necessário para enfrentar ondas de calor, secas e inundações, assim como para combater a pobreza.

A jovem ativista Vanessa Nakate, de Uganda, pediu aos líderes reunidos na antiga sede da Bolsa de Paris, o palácio Brongniart, que respeitassem um minuto de silêncio por aqueles que "já sofrem fome, que foram deslocados, que abandonaram a escola".

Além de Guterres, a reunião conta com as presenças da secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, do primeiro-ministro da China, Li Qiang, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

- "Mapa" -
O objetivo da cúpula é ambicioso: criar musculatura financeira para enfrentar três crises interconectadas, a luta contra a pobreza, a descarbonização da economia e a proteção da biodiversidade, de acordo com Macron.

Embora o encontro tenha a aspiração de traçar um "mapa do caminho" para outras reuniões internacionais, já existem ideias sobre a mesa que incluem a ampliação da capacidade de empréstimo do FMI e dos bancos regionais de desenvolvimento, assim como o alívio da dívida dos países mais vulneráveis.

A França quer dar um "impulso político" à ideia de uma taxa internacional sobre as emissões de carbono do comércio marítimo, poucos dias antes de uma importante reunião da Organização Marítima Internacional (OMI). De acordo com especialistas, a taxa poderia arrecadar 20 bilhões de dólares por ano (96 bilhões de reais.

Entre as "ferramentas" há a ideia de reciclar 100 bilhões de dólares (480 bilhões de reais) em direitos especiais de saque, a moeda de reserva do FMI.

A secretária americana do Tesouro afirmou que Washington "pressionará" para que os credores dos países pobres e em desenvolvimento possam participar nas negociações de reestruturação de suas dívidas.

- Show pelo planeta -
A reunião acontece em um momento de desconfiança dos países em desenvolvimento, que criticam as nações ricas quando alegam não ter dinheiro para ajudar no combate à mudança climática e à pobreza, mas que apoiam a Ucrânia ou resgatam bancos norte-americanos.

As necessidades são imensas. Um grupo de especialistas independentes criado por iniciativa da ONU calculou que até 2030 os países em desenvolvimento, excluindo a China, precisarão investir mais de dois trilhões de dólares por ano (cerca de 9,6 trilhões de reais) para lidar com a crise climática.

A pressão da sociedade civil estará presente em Paris, onde jovens ativistas ecologistas, como a sueca Greta Thunberg e a equatoriana Helena Gualinga, participarão em um debate sobre o "poder do ativismo" no Teatro de Chatelet.

Durante a noite, artistas como Billie Eilish, Lenny Kravitz e Jon Batiste participarão de um show diante da Torre Eiffel, batizado de "Power our Planet", evento que também terá discursos de Lula e Thunberg.

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