De como os filhos podem atrapalhar a vida do pai

Filhos de Bolsonaro interferem no governo do pai antes mesmo de sua instalação

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Arthur Mota

Jair Bolsonaro teve três filhos do primeiro casamento e os colocou todos na política. Um foi campeão de votos em São Paulo para a Câmara Federal, outro se elegeu senador pelo Rio de Janeiro e o terceiro é vereador na capital fluminense. Nada demais que filhos queiram seguir a carreira do pai, que ainda é deputado federal pelo RJ e está eleito presidente da República. O problema é a interferência desses filhos no governo que sequer se iniciou. Um foi para os Estados Unidos encontrar-se com assessores de Trump como se fosse o ministro das Relações Exteriores, outro dá pitaco na bancada do PSL dizendo quem pode e quem não pode ser o futuro presidente da Câmara Federal, o terceiro convida pessoas para participar do governo do pai como se fosse ele próprio o sucessor de Temer, e por aí vai. Evidente que isso está errado e pode comprometer o governo que ainda vai se instalar daqui a 21 dias. Bolsonaro tem que enquadrar logo esses “garotos” (é assim que ele se refere aos filhos), sob pena de frustrar as expectativas dos seus 57 milhões de eleitores. Para completar essa fase ruim de seu pré-governo, vaza um relatório do Coaf que deixa mal na fita um de seus filhos e a futura primeira dama Michele Bolsonaro. O presidente eleito poderia estar dando entrevista hoje sobre o novo ministro do Meio Ambiente mas em vez disto vai colher pelo menos uma semana de notícias negativas sobre um de seus filhos. Se aprender com isto, ótimo. Se não, ai do Brasil!

O papel de Bivar
Como presidente nacional do PSL, o deputado pernambucano Luciano Bivar pode ter um papel importante no governo Bolsonaro, mas precisa ser mais proativo. Evidente que não tem como “enquadrar” os filhos do presidente eleito. Mas pode encaminhar, satisfatoriamente, a posição do partido diante do governo e da eleição das duas mesas do Congresso Nacional.

Posse > O ministro José Múcio, que assumirá amanhã a presidência do TCU, pretende priorizar, na fiscalização, concessões e privatizações, além de obras inacabadas. Como não há auditores suficientes para fiscalizar todas, serão priorizadas as que já consumiram milhões de reais.

A sopa > O ex-presidente FHC definiu bem o quadro partidário brasileiro na atualidade: não há partidos políticos com programa e ideologia definidos, e sim “sopa de letras”. Excetuam-se o PCdoB e mais uns três ou quatro. O resto são siglas que, se não existissem, não fariam falta.

A estrela > O deputado Bruno Araújo é um dos poucos políticos do PSDB que nasceram com uma estrela na testa. Apesar de sua pouca idade, já foi líder da bancada na Câmara e ministro de estado. E agora recebeu o apoio de João Doria, governador eleito de SP, para presidir o partido.

O núcleo > Paulo Câmara está montando o segundo governo cujo núcleo será formado pelo PSB, PCdoB, MDB e PT. Esse quarteto dará sustentação ao governo e isso é o que interessa ao governador. Partidos como PP, PR, SD e PDT terão participação, mas não no nível de hoje.

Da pesada > Quadrilhas daqui e de outros estados continuam explodindo bancos nos sertões nordestinos e as polícias estaduais têm sido impotentes para enfrentá-las. O próprio ministro Raul Jungmann (Segurança) reconhece que facções criminosas comandam esses assaltos de dentro das prisões.

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