Defesa de Marisvaldo contesta provas e depoimento de Mysheva

Segundo o advogado do réu no no assassinato do promotor Thiago Faria, evidências "contêm falhas"

Deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE)Deputado federal Tadeu Alencar (PSB-PE) - Foto: Chico Ferreira/Divulgação

Durante a defesa de José Marisvaldo Vitor da Silva, acusado de envolvimento na morte do promotor Thiago Faria, o advogado do réu, Anderson Flexa, contestou as provas apresentadas durante o processo, alegando que elas contêm falhas. José Marisvaldo, conhecido como "Passarinho", é apontado como informante do paradeiro de Thiago no dia do crime.

Flexa dedicou os primeiros minutos de sua fala a mostrar que uma das principais provas contra Marisvaldo contém falhas. É a imagem de uma câmera de circuito interno que mostra uma rua de Águas Belas. Na imagem, um motociclista aparece seguindo o carro do promotor. Segundo a defesa, as investigações disseram que essa pessoa era Marisvaldo. Flexa alegou, no entanto, que o porte físico da pessoa que aparece na filmagem não combina com o do réu e que a moto não era a dele, por ser moto de trilha. Além disso, a roupa dele também era de trilha, predominantemente preta e "com mangas longas em pleno Sertão", argumentou.

A partir daí, Flexa começou a questionar o trecho do relato de Mysheva Martins, noiva do promotor Thiago Faria, em que ela disse ter visto Marisvaldo na Fazenda Nova - a terra disputada pelas famílias de Mysheva e de José Maria Pedro Rosendo Barbosa e que seria o motivo do assassinato - quando ela esteve lá com o promotor para pegar os convites de casamento, no dia do crime. O advogado argumentou que Mysheva não lembra das roupas de Marisvaldo, mas que, se ele estivesse usando as roupas que aparecem na imagem, tão atípicas, seria fácil reconhecê-lo

O defensor também questionou que, se Marisvaldo era o informante, não teria como saber que o casal voltaria para a fazenda, se isso não estava nos planos - ela esqueceu os convites.

Os relatos de Mysheva sobre o caso também foram contestados. Anderson Flexa passou vários minutos falando de Edmacy Ubirajara, que passou dois meses preso, logo no inicio da investigação, após Mysheva reconhecê-lo como atirador no dia seguinte ao crime, por foto, e dois dias depois, presencialmente. "Fui advogado de Edmacy e tivemos que correr a cidade toda atrás de provas, de onde ele tinha passado", disse. Após a polícia confirmar que Ubirajara aparecia em imagens de câmeras na cidade, ele foi liberado.

Flexa explorou esse "engano" no reconhecimento que Mysheva fez da pessoa que atirou no promotor. "Se Edmacy foi incluído lá atrás, nessas condições, será que estes [réus] não foram incluídos também? São muitos 'serás'", disse Flexa.

Por fim, o advogado questionou o resultado da perícia da Polícia Federal, que, segundo ele, "foi direcionada a comprovar se uma versão (a de Mysheva) era possível". "Se o resultado da perícia e da investigação fosse satisfatório, a defesa estaria aqui sem palavras. Estaria, na verdade, brigando para reduzir a pena. Mas não é o caso", disse.

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