Defesa discorda de prisão preventiva dos suspeitos pela morte do médico
Segundo informações repassadas na Delegacia de Camaragibe, Jussara Paes teria perguntado como poderia acessar a conta corrente do marido quando prestou queixa pelo desaparecimento dele
Na tarde da última quinta-feira (5), entre 13h e 16h, Jussara e Danilo Paes ficaram na carceragem da Delegacia de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, onde o caso da morte do médico cardiologista e advogado Denirson Paes está sendo investigado. Entraram e saíram com os rostos cobertos e sem falar com a Imprensa. Foi por volta das 15h30 que o advogado de defesa, Alexandre Oliveira, especialista em processo penal, chegou ao local e disse que discorda da prisão temporária decretada aos suspeitos por 30 dias.
“No entendimento da Justiça e da delegada (Carmem Lúcia), é para evitar destruição de provas. Mas a cacimba (onde os restos mortais foram encontrados) está isolada e há algumas áreas isoladas na casa. Pode ser necessário nova perícia, algum fio de cabelo, resto de sangue, provas que podem ajudar na elucidação do caso”, argumentou, acrescentando que trabalha com a opção de entrar com pedido de habeas corpus para os suspeitos.
Oliveira defendeu que a prisão de Jussara e Danilo Paes deveria ter sido a última opção. “Parece-me que eles têm um apartamento próximo de lá (da casa), então que ficassem em prisão domiciliar. O rapaz (Danilo) acabou de terminar o curso de Engenharia Civil na Federal, ela (Jussara) é funcionária pública, farmacêutica. Ambos têm emprego, profissão definida. A prisão não foi a indicação certa”.
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Para a defesa, o médico Denirson Paes continua desaparecido. “Primeiro, o IML (Instituto Médico Legal) precisa identificar se (os restos mortais) pertencem ao médico. Pelo que eles (mãe e filho) falaram, era um poço que estava aberto há um bom tempo, há dejetos, animais e outras coisas lá dentro. Acho que, mais tardar, segunda, a gente já deverá ter uma comprovação. Até o momento, não tem laudo”, sustentou o advogado.
Sobre o que Jussara teria dito sobre o paradeiro de Denirson, o advogado disse que a cliente não entrou nesse “detalhe”. “Ele saiu, estava cuidando do outro apartamento que eles têm lá, para que eles fossem se mudar pra morar lá. Fora isso, ela não me falou mais nada”.
Prisão preventiva
Questionado sobre como Jussara e Danilo receberam a informação de que seriam presos, Alexandre Oliveira voltou a se posicionar contra a decisão da Justiça. “É diferente quando você pega um homem médio, do povo, é normal que essa pessoa vá presa. Mas quando você pega alguém - não discriminando as outras pessoas - que se formou agora em Engenharia, a mãe que trabalha, é funcionária pública, então tem que ter um pouco de cautela. É preciso analisar a periculosidade, se existe algum perigo à sociedade, se vem cometendo vários crimes ou se é um fato isolado. Você vai pegar pessoas contra quem, supostamente, ainda não se tem a provas e já colocar dentro de um presídio? Um jovem de 23 anos que acabou de sair da Federal? Ela, funcionária pública, já ir para o Bom Pastor? Há opções menos dolorosas”.
Relatos da delegacia
Foi na Delegacia de Camaragibe que Jussara Paes e a irmã de Denirson, que não teve identidade revelada, prestaram queixa do desaparecimento do médico, no último dia 20 de junho. As informações desencontradas e o comportamento da esposa teriam chamado atenção dos agentes que registraram a ocorrência. A farmacêutica teria perguntado, por exemplo, como poderia acessar a conta corrente do marido e não soube explicar porque ele teria viajado sem levar bagagem.
Entenda o Caso
O desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado há quase um mês. Em um Boletim de Ocorrência registrado no último dia 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado. A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.
Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico, encontrado nesta quarta-feira (4) dentro de uma cacimba na casa onde morava, no condomínio Torquato Castro, na Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. As investigações continuam a fim de esclarecer a motivação e a conduta de cada um.
Vizinhos do médico afirmaram que dois funcionários dele prestaram depoimento. Um deles teria afirmado que a esposa da vítima o chamou dias atrás para fechar, com cimento, uma cacimba que já estaria fechada com uma tampa "bastante pesada para ser carregada por uma pessoa só". O homem teria notado um mau cheiro, mas a farmacêutica alegou que um gato tinha morrido dentro da cacimba.
O segundo funcionário contou à polícia que o médico, pouco antes de desaparecer, tinha explicado a ele que não precisaria mais de seus serviços porque estaria se separando e iria morar no Recife.

