Demissão de Vasquez foi pequenez política

Luciano Vasquez é um dos melhores intérpretes em Pernambuco do pensamento político de Arraes e de Eduardo Campos

Luciana SantosLuciana Santos - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

O governo Paulo Câmara errou feio em Caruaru antes da eleição municipal e permanece errando depois que Raquel Lyra elegeu-se prefeita. Errou inicialmente quando tomou o PSB das mãos da deputada para entregá-lo a Jorge Gomes, quando até as pedras de lá tinham conhecimento de que o honrado vice-prefeito não seria um candidato competitivo. Raquel fez a travessia para o PSDB e o desfecho da história já é conhecido pelo distinto público. Ela não se confrontou com o atual governo nem antes, nem durante, e nem depois de sua vitória, admitindo claramente que ainda poderia recompor-se com a Frente Popular. O governo, no entanto, num ato de pequenez política, demitiu da diretoria de Suape o vice-presidente estadual do PSB, Luciano Vasquez, por tê-la apoiado no 2º turno, em razão do histórico dela no partido. Com este ato desnecessário, o governo perde o assessoramento de um dos mais fieis discípulos de Arraes e Eduardo Campos.

Para refrescar a memória
Quando Arraes elegeu-se governador em 1986, convidou o cearense José Soares Nuto para presidir o Bandepe. Mas para as quatro diretorias do órgão convidou servidores da casa. Um deles, por ter votado em José Múcio, recusou o convite. E só voltou atrás quando o governador lhe disse o seguinte: “Eu não estou perguntando em quem o senhor votou, estou lhe convidando para diretor do banco”.

Fidelidade > Foi sepultado ontem em Santa Cruz do Capibaribe o ex-prefeito e ex-deputado Augustinho Rufino, um dos políticos mais irreverentes que já passaram pela Assembleia Legislativa. Pertencia ao “grupo Mendonça” e não tomava decisões na vida sem consulta prévia a “Mendonção”, a quem foi fiel até a morte.

Carimbo > Antonio Campos pode até ter em Pernambuco a imagem de “destemperado”, mas aos olhos da mídia nacional ele é neto de Arraes e irmão de Eduardo Campos, por isso o que diz cá repercute lá.

Lentidão > Talvez o Ministério Público Federal tivesse algo mais importante para fazer do que denunciar à Justiça 219 deputados e “ex” por suposto uso irregular de passagens aéreas entre 2007 e 2009.

Limite > Dados da Secretaria do Tesouro indicam que a Prefeitura do Recife comprometeu 58% de sua receita corrente líquida em 2015 com a folha de pessoal. O limite estabelecido pela Lei Fiscal é 60%.

Desgaste > Caso o Governo do Estado não viabilize os recursos para honrar o pagamento do 13º salário dos servidores, a imagem do governador Paulo Câmara sofrerá um desgaste devastador. Esse filme foi visto aqui no 3º governo de Arraes (1995-1998), o que ocasionou a derrota dele (em 98) para Jarbas Vasconcelos.

Quentura > Está marcada para 9 de dezembro, em SP, a reunião do diretório nacional do PT para avaliar o resultado das eleições e traçar as diretrizes para 2018. Só a corrente que defende a saída de Rui Falcão da presidência está dividida em cinco alas, donde se deduz que a reunião tem tudo para ser apimentada.

Anistia > O Ministério da Justiça reconheceu, finalmente, como “anistiada política”, a líder sindical Margarida Maria Alves, assassinada em Alagoa Grande (PB) em 1983 com um tiro de escopeta. A família receberá uma indenização de R$ 180 mil. Margarida e Jackson do Pandeiro são as duas maiores celebridades de Alagoa Grande. Em Pernambuco, familiares de Gregório Bezerra também penaram para que ele fosse reconhecido como “anistiado”.

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