Saúde

Dengue: ao menos três estados decretam emergência; na Rede D'Or, casos disparam 307%

Brasília, Minas Gerais e Acre instauram alerta devido ao avanço da doença; no DF, crescimento em janeiro chega a 656,5%

Estados decretam emergência em meio ao avanço de dengue. Estados decretam emergência em meio ao avanço de dengue.  - Foto: NIAD/NIH

Com o anúncio do Distrito Federal desta quinta-feira, ao menos três estados brasileiros já anunciaram o decreto de emergência devido ao avanço da dengue. Além do DF, Acre e Minas Gerais também estão em alerta pela alta da doença. Em hospitais da Rede D'Or pelo país, por exemplo, os casos da doença dispararam 307% neste janeiro em relação ao mesmo período do ano passado.

O status de emergência, de acordo com definição do Ministério da Saúde, é “o emprego urgente de medidas de prevenção, de controle e de contenção de riscos, de danos e de agravos à saúde pública em situações que podem ser epidemiológicas (surtos e epidemias), de desastres, ou de desassistência à população”.

É uma medida considerada pelos estados principalmente por diminuir burocracias e permitir uma maior agilidade nas ações voltadas a conter os casos de uma doença. Ano passado, por exemplo, ao menos seis estados decretaram o status devido à alta de síndromes respiratórias entre crianças.

De acordo com o Governo do Distrito Federal (GDF), a decisão de instaurar a emergência pela dengue foi tomada depois de registrar 16.079 casos prováveis do dia 1º ao 20 deste mês, um aumento de 646,5% em relação ao mesmo período de 2023.

“O texto autoriza o governo a tomar as medidas administrativas necessárias para conter a doença, em especial a aquisição de insumos e materiais e a contratação de serviços. (...) Devido ao caráter excepcional e a necessidade temporária da luta contra a dengue, o governo está autorizado a contratar profissionais por tempo determinado a fim de combater a dengue”, diz o GDF em nota.

Já na última terça-feira, o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, anunciou que iria decretar emergência após Minas ter registrado 32.316 casos prováveis da doença neste mês até o dia 22. Ele não esclareceu em quanto foi o aumento em relação ao ano anterior.

— Pela primeira vez, Minas vai viver o segundo ano consecutivo epidêmico para dengue e chikungunya. Por isso, ações imediatas estão sendo tomadas, especialmente o decreto de emergência que o estado vai publicar esta semana para facilitar tanto a contratação de profissionais, quanto a compra de insumos pelo estado e pelos municípios mineiros — disse durante coletiva de imprensa em Belo Horizonte.

Antes, ainda no dia 5, o governo do Acre, por meio do decreto nº 11.396, também instaurou situação de emergência devido ao aumento das arboviroses e a superlotação das unidades de saúde. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-AC), o atendimento diário tem sido de mais de 600 pessoas com síndromes febris causadas por dengue, zika e chikungunya no estado.

— Foi uma ação planejada do governo, sob as orientações do governador Gladson Cameli, a qual nos permite estratégias de ação de forma menos burocrática. Já temos conhecimento que a sazonalidade, ou seja, o período em que a dengue tem o maior aumento de casos – de outubro a abril, ficou atrasada pela questão das secas que tivemos — disse o titular da pasta, Pedro Pascoal, em coletiva.

Subida de casos nas unidades da Rede D’Or
Um exemplo do avanço da dengue pelo Brasil pode ser observado nos números das unidades da Rede D’Or. Hospitais da rede situados em cinco estados – Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Sergipe – registraram um aumento de 307% no número de pacientes diagnosticados entre 1º e 20 de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado.

Em São Paulo, a maior alta foi observada no pronto-socorro do São Luiz Anália Franco, na zona Leste, de 833%. No Rio de Janeiro, o aumento mais expressivo foi no pronto-atendimento do Hospital Rios D’Or, em Jacarepaguá, com 2.300% mais pacientes com a doença.

Em Brasília, a maior alta foi verificada no pronto-atendimento do Hospital DF Star, com 173% mais casos de dengue. Ainda segundo o levantamento da Rede D’Or, houve aumento de 200% nos diagnósticos de dengue no Hospital São Lucas, de Sergipe. No Hospital Santa Cruz, no Paraná, não havia sido registrado nenhum caso em janeiro de 2023, mas houve pacientes neste ano.

“É um indicador preocupante, especialmente se for registrada a circulação de sorotipo 3 (um dos 4 tipos da dengue), como tem sido visto em algumas cidades, o que aumenta o número de pessoas suscetíveis à doença. Isso não ocorria há 15 anos (a circulação do sorotipo 3 em alguns locais). O risco de crescimento contínuo do número de casos nos próximos meses é real. As pessoas que já tiveram dengue no passado podem apresentar sintomas mais severos”, alerta David Uip, diretor nacional de Infectologia da Rede D’Or, em nota.

Dengue no Brasil
Em 2024, o Brasil começa o ano novamente com números alarmantes de dengue. No ano passado, o país bateu o recorde de ano com mais mortes causadas pela doença. Foram 1.094 óbitos confirmados, o que superou o ano anterior, 2022, que contabilizou 1.053 vidas perdidas.

Em relação aos casos, os dados do Ministério da Saúde mostram que foram 1.658.816 diagnósticos prováveis da infecção pelo vírus em 2023, 52.871 com evolução para hospitalização. O número é mais baixo apenas de 2015, quando o Brasil atingiu o recorde de 1.688.688 casos de dengue.

Vacinação contra a dengue
Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde anunciou quais serão as mais de 500 cidades que receberão unidades da vacina contra a dengue Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, para a campanha de 2024 na rede pública, primeira do mundo com o imunizante.

Devido ao quantitativo limitado de doses que o laboratório consegue produzir, nesse primeiro momento foram priorizados jovens de 10 a 14 anos residentes de municípios com mais de 100 mil habitantes e alta transmissão de dengue. A previsão é que a campanha comece em fevereiro.

A vacina também pode ser encontrada na rede privada por valores que vão de R$ 390 a R$ 490 a dose, segundo levantamento do GLOBO. Como o esquema envolve duas aplicações, com um intervalo de três meses entre elas, o preço final fica de R$ 780 a R$ 980.

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