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Desafio propõe novos modais para os recifenses

Sétima edição do Desafio foi realizada na noite desta quarta-feira no Recife e incluiu o BRT

7º Desafio Intermodal no Recife7º Desafio Intermodal no Recife - Foto: Gustavo Glória / Folha de Pernambuco

Repensar o modo de se locomover pela cidade. Essa foi uma das propostas trazida pelo 7º Desafio Intermodal (DIM), promovido pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) e o Pernambuco Bike Anjo, realizado na noite desta quarta-feira no Recife. Diferente de outras edições, essa foi a primeira vez que o desafio seguiu para a Zona Oeste e incluiu o BRT como modal a ser medido.

“O que a gente percebe é que muitas vezes os transportes ativos (a pé, bicicleta etc) possuem uma relevância menor. Imagina se o percurso que a pessoa faz de casa para o trabalho é de 3 km a 5 km, e ela passa a fazer esse mesmo trajeto andando por dois ou três dias, é menos um carro no trânsito. Queremos que os recifenses percebam que existem outros tipos de modais”, afirma a articuladora estadual do Bike Anjo, Barbara Barbosa.

Um grupo composto por 20 participantes saiu da Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife, às 18h. Os ciclistas seguiram caminhando, correndo, com bicicleta, monociclo, carro (o que inclui táxis e veículos de aplicativos), BRT, ônibus, skate, entre outros meios de transporte até o Mercado do Cordeiro - um percurso médio de 6,5 km. Os organizadores frisaram que a intenção não foi ver quem chegaria primeiro, mas avaliar o trajeto livre e todos os percalços enfrentados até o destino final. O DIM é um modo de comparar o uso e a eficiência de diferentes modais e acontece no Recife desde 2012, sendo uma forma de medir a qualidade da mobilidade urbana de acordo com os usos cotidianos da cidade.

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Com tempo de 14 minutos, no modal bicicleta passo rápido, Robson Bezerra foi o primeiro a chegar. “Essa é a realidade do meu dia a dia. Moro em Piedade e trabalho no Prado. Todos os dias uso a bicicleta mesmo com poucas ciclovias e o transito caótico. O que mais encontramos é a falta de respeito dos carros e motocicletas que se acham donos do espaço”, relatou.

Um dos pontos observados foi que para quem foi de BRT levou 45min22, enquanto quem fez o trajeto de ônibus levou em média 58 minutos. Mesmo sem um corredor exclusivo completo entre o Centro do Recife e a Caxangá, o modal se mostrou mais eficiente e rápido. No entanto a diferença para os participantes que foram correndo foi de 10 minutos a mais. Quem utilizou o carro como modal chegou por último ao local.

“Se você se importa com a rapidez, há um resultado por tempo; se você se importa com a rapidez ou com questões ambientais de emissões, você tem rankeamento com base nisso; se você se importa mais com custo do transporte, a gente também tem essa conta”, enfatizou a coordenadora da Ameciclo, Lígia Lima.

Além das questões estruturais como ciclofaixas e calçadas mais atrativas e seguras, a falta de respeito ao espaço de cada pessoa foi bastante citado entre os principais problemas de locomoção, seja nas zonas Sul, Norte ou Oeste. “Uso a bicicleta para tudo no meu dia a dia. Levo meu filho à escola, vou ao supermercado. E ontem, levei um fino de um carro da CTTU, por incrível que pareça. Há uma falta de respeito muito grande entre os carros com os ciclistas e pedestres. Não existe uma estrutura e temos sempre que disputar com outros veículos”, criticou o biólogo Thyago Almeida, que participou do desafio levando seu filho de cinco anos na bicicleta - o ciclista chegou em terceiro lugar.

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