Designer de acessórios cancela coleção por utilizar estrelas do mar

Jovem alegou não ter atentado que o material usado eram seres mortos

Laurinha Marinho publicou pedido de desculpas no InstagramLaurinha Marinho publicou pedido de desculpas no Instagram - Foto: Reprodução/Instagram

Uma designer de acessórios recifense cancelou e recolheu peças de uma coleção que lançou que utilizava estrelas do mar reais. Ela publicou nas redes sociais um pedido de desculpa e disse não ter atentado para o fato de que as peças haviam sido feitas com seres mortos.

Laurinha Marinho, de 29 anos, disse ao Portal FolhaPE que muitas marcas lançam coleções com temáticas de sereia e Iemanjá. "Como todo mundo usava esse material, não imaginei que fosse algo ruim. Vi referências em diversas marcas grandes. Então, fiz o pedido à loja e comecei a produzir as peças", contou. Segundo Laurinha, a vendedora, inclusive, afirmou que os produtos eram verdadeiros. "Tanto que têm cheiro de mar mesmo", completou a designer.

A princípio, nenhuma cliente contestou o material. A mãe de Laurinha, que é arquiteta ambientalista, foi a primeira a questionar se as estrelas do mar eram reais. "Foi quando comecei a pensar sobre o caso", disse a designer. Pouco depois, uma amiga também questionou, pois já começavam a surgir críticas nas redes sociais. "Foi aí que fui pesquisar sobre as estrelas do mar. Eu achava que eram como conchas. Mas descobri que elas são pescadas e deixadas secando até morrer", relatou.

Foi então que Laurinha desistiu de prosseguir com a produção. "Minha criação da vida inteira sempre prezou por preservar o meio ambiente. Isso não condizia com a minha postura de vida", alegou. Ela foi bastante criticada na internet, mas retirou os produtos de todas as lojas a que tinha vendido, além de ter tentado contato com os clientes que já haviam comprado. "Agora, só uso conchas, porque já me informei que são permitidas. E uso só as que eu mesma catei na praia. Além delas, uso pérolas e pedraria", contou a designer.

Ao todo, 16 peças com estrelas do mar haviam sido vendidas. Outras quatro ainda estão no ateliê e serão entregues à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que se encarregará de dar um destino adequado aos materiais.

Leia o relato de Laurinha Marinho no Instagram sobre o caso:

"Gente, cometi um erro. E sinto muitíssimo! Por ter agido de forma irresponsável e egoísta. Não me informei sobre a procedência das estrelas do mar. Quando as vi, me encantei, assim como tudo do mar me encanta. Comecei a ter varias idéias e minha euforia me cegou. Ja tinha várias inspirações guardadas com elas de outras marcas e quando eu vi na prateleira da loja, nem pensei a fundo no mal que eu estava causando. Não pensei se eram verdadeiras, e que impacto ambiental aquilo poderia ter... Comprei em uma loja de montagem que comercializa em atacado, não as pesquei, ou peguei da areia da praia. Acho que por isso não atinei para essas questões. Nas minhas pesquisas sobre o assunto, descobri que o nome que se dá a ação de comercializar esse tipo de animal é "Moda Triste". Fiquei arrasada, não combina com o que eu faço, nem com o que eu acredito. Meu trabalho é manual, faço tudo sozinha, sou artesã muito mais do que empresária e a educação que me foi passada, envolve o respeito e o amor ao próximo e ao meio ambiente. Sou filha de uma arquiteta ambientalista, que quando viu as estrelas, a primeira coisa que me perguntou foi se elas eram verdadeiras e de onde tinham vindo. Eu não soube responder e fiquei na ignorância por dias. Eu não sabia que era proibida à venda, o que não justifica minha atitude, pois se eu fosse parar pra pensar e usar meu bom senso, saberia que aquilo não estava certo. Descobri também, que eles as pescam vivas e as deixam secar até a morte. (li essa informação num artigo que o IBAMA publicou) Um horror! De fato; são cadáveres enfeitando nosso corpo. Não é justo, e esses não são os valores que quero passar para minha filha. Por isso meninas, estou recolhendo TODAS as peças que tem estrelas do mar das lojas e não posso mais pegar encomenda. Peço perdão a todos pela minha atitude, tamanho é meu arrependimento de ter agido da forma que agi."

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