Desporto universitário cresce, mas tem potencial para mais

Das cerca de quatro mil universidades no Brasil, somente 680 têm registro de participação em eventos da CBDU

Uninassau é a instituição pernambucana que mais investe no desporto universitárioUninassau é a instituição pernambucana que mais investe no desporto universitário - Foto: Chico Peixoto/Fape

Nesta terça, têm início as disputas da edição 2018 dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), que estreia novo formato ao juntar, pela primeira vez, todas as modalidades - coletivas e individuais - do início ao fim do evento. Mais de três mil atletas representarão instituições de ensino de todo o País em disputas sediadas em Maringá, no Paraná.

A etapa nacional dos Jogos Universitários é o ápice da temporada, que começou com a Fase Estadual (no caso de Pernambuco o JUPs) e seguiu com as Conferências Regionais. Os três primeiros colocados por modalidade de cada região disputarão, agora, o título brasileiro. O novo formato é praticamente uma compilação dos sistemas aplicados no próprio JUBs anteriormente e na Liga do Desporto Universitário (LDU), extinta neste ano.

Pernambuco estará representado em praticamente todas as modalidades, exceto futsal feminino, vôlei masculino e ciclismo e skate nos dois naipes. Chama atenção, contudo, a predominância da Uninassau, que classificou o basquete e o vôlei feminino, além do vôlei de praia, basquete, futsal e handebol masculino, entre as modalidades coletivas. Tem ainda 45 atletas nas disputas individuais. A segunda instituição com maior representação no Estado é a UFPE, com seis atletas. A equipe de League of Legends, por sua vez, é da UFRPE, o handebol feminino é da Universo e o vôlei de praia feminino, da UPE. Já Faculdade Boa Viagem e Facape têm um atleta cada em provas individuais.

“Vários fatores influenciaram na mudança de formato, sendo o principal deles a ideia de ampliar o calendário com a modernização desse sistema. Com as seletivas regionais, aumentamos a competitividade, uma vez que só os três primeiros se classificam, e diminuímos o número de equipes na Fase Final, enxugando os custos em cerca de 30%”, destacou o presidente da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU), Luciano Cabral.

O orçamento da CBDU é composto por 5% do repasse da Lei Agnelo/Piva para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e 5% do repassado para o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), fora patrocínios fixos e temporários e verbas oriundas de projetos aprovados pela Lei de Incentivo. Nos últimos anos, a entidade traçou metas para desenvolver o segmento, que ganhou mais relevância, e conseguiu aumentar o calendário de competições universitárias no País. Contudo, ainda há muito a se debater sobre o tema, sobretudo quando se nota que, em sua maioria, os atletas de alto rendimento do Brasil não têm formação superior.

No País, ainda há uma cultura clubística forte que, cedo ou tarde, desemboca no velho dilema entre abandonar o sonho de ser atleta profissional para se dedicar aos estudos ou abdicar de uma formação superior para focar no esporte. Na verdade, esses caminhos deveriam ser trilhados juntos. “Tem de haver uma cooperação para mostrar aos atletas que eles não precisam parar de estudar. Não existe um sistema universitário forte, competitivo. Algumas universidades investem, dão bolsa, mas falta estrutura para o atleta se preparar, por isso é necessário o clube. Minha ideia é que as faculdades devem trabalhar junto com os clubes, até para a conscientização da comissão técnica, que muitas vezes indica que o atleta tranque a faculdade para se preparar para determinada competição”, diz a ex-nadadora e atual gestora da secretaria executiva de Esportes da Prefeitura do Recife, Joanna Maranhão, que chegou a competir pela liga dos Estados Unidos a convite da Universidade da Flórida.

A representação de Pernambuco no JUBs, concentrada em poucas instituições, reflete o pouco interesse das universidades no desporto. Atualmente, são cerca de quatro mil unidades de ensino superior no Brasil. No entanto, somente cerca de 680, em todo o território nacional, têm registros de participação em eventos esportivos da CBDU. E, nesse grupo, há as que realmente trabalham a plataforma, incluindo parcerias com clubes, ofertas de bolsas de estudos e pagamento de passagens para competições universitárias, as que dão somente bolsas, mas não se responsabilizam por passagens, e aquelas que sequer oferecem desconto na mensalidade.

Sem o envolvimento das universidades, é mais difícil estabelecer um sistema sólido e competitivo como o que existe em países como Austrália, China e Estados Unidos, por exemplo, onde os jovens não recebem retorno financeiro direto, mas estudam, moram, se alimentam, treinam e competem por uma instituição e, após essa fase, encontram um mercado aberto pelo próprio caráter de "celeiro" que suas ligas universitárias têm. “O maior exemplo é a NBA, que vai buscar seus grandes talentos no draft das universidades”, destaca o técnico de basquete da RD Sports, Roberto Dornelas. "As próprias atletas não investem na carreira universitária no Brasil, até porque não dá retorno e muitas atletas têm origem humilde, ajudam em casa. É comum que, mesmo tendo bolsas, muitas também abandonem os estudos por causa do ritmo intenso de treinos e competições nos clubes. Precisaria de uma mudança de consciência, de incentivos, que é como tudo funciona no Brasil. É uma extensa problemática", completa.

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