Destaque na Refeno, ONG engaja guerra contra plástico

Organização aporta em Noronha para apresentar solução que visa diminuir impacto do material nos oceanos

Holm lidera trabalho na Clean Oceans InternationalHolm lidera trabalho na Clean Oceans International - Foto: Reprodução/Instagram

FERNANDO DE NORONHA (PE) - Em tempos de guerra pesada contra o uso desnecessário do plástico, a ONG Clean Oceans International (COI) faz um trabalho de conscientização sobre a limpeza dos oceanos. Uma tecnologia antiga, mas pouco explorada é o carro-chefe do trabalho da organização: uma máquina que transforma o plástico recolhido dos oceanos em combustível, a Plastic to fuel (PTF).

Representantes da ONG foram convidados a participar da 31ª edição da Regata Internacional Recife-Fernando de Noronha (Refeno). A bordo do Labadee (classe RGS C), do capitão Marco Cordeiro, chegaram à ilha o presidente da organização, o americano James Holm; a diretora internacional, Cláudia Rocha; a representante no Brasil, Kelly Duim; e mais quatro tripulantes. O veleiro aportou no Arquipélago na segunda-feira após completar o percurso em 41h42min32s, sendo o quarto colocado da sua categoria.

Leia também:
Refeno: família fala sobre desafios de morar em barco
Confira a classificação da 31ª edição da Refeno
Pernambucano Patoruzú conquista bi da Refeno
Com recorde, Refeno dá largada para a 31ª edição

A ONG acredita que a tecnologia desenvolvida na conversão do plástico em combustível será lucrativa e aplicável em todo o Planeta. O PTF pode ser utilizado em grandes cidades e áreas remotas, diminuindo o impacto do plástico na natureza. "Todas as iniciativas juntas vão conseguir eliminar o plástico da natureza. Todos nós que criamos o problema individualmente. Então faz sentido que todos juntos trabalhemos para eliminar o problema", alerta James Holm.

"Descobrimos que é muito fácil 'cozinhar' o plástico em uma panela de pressão e, através de uma refinação muito pequena, transformar o plástico em diesel e gasolina", explica o presidente da Clean Oceans International. O produto criado é vantajoso financeiramente, o que pode incentivar as grandes companhias a adotarem a tecnologia PTF.

Para aplicar a tecnologia em escala global, a ONG busca parceiros para reduzir a máquina e oferecer para o lugar após um estudo da demanda. "É o conceito que estamos oferecendo: diminuir o tamanho e o custo da máquina. Quem está reciclando ganha e quem tem a máquina lucra. Todo mundo sai ganhando", acrescenta Holm. Atualmente, há cinco máquinas em grandes operações nos Estados Unidos, além de máquinas pequenas no Canadá, na Islândia, na Índia, no Japão e no arquipélago de Palau, no Pacífico Sul.

A ONG também enxerga como importante a conscientização da sociedade desde a infância sobre a limpeza dos oceanos. "O futuro são as crianças. Em todo lugar que a gente vai, as crianças ensinam aos pais a reciclagem. É mais fácil", continua James Holm.

Usar a tecnologia em Fernando de Noronha é um sonho para a Clean Oceans. Em abril deste ano, entrou em vigor o decreto "plástico zero" proibindo o uso e comercialização de plásticos descartáveis no Arquipélago. "Seria uma coisa muito bonita se todos nós do barco fôssemos os líderes de fazer de Noronha um local totalmente sem plástico. Ainda não perguntaram a mim, mas estamos conversando todos os dias sobre o assunto. É um sonho e objetivo", finaliza o americano.

O trabalho da Clean Oceans International é compartilhado no site e nos perfis da ONG no Facebook e no Instagram.

A Clean Oceans International apresenta a ideia aos ilhéus na palestra "Save the Oceans" na sede do Projeto Tamar, nesta quarta-feira, às 19h.

*O repórter viajou a convite do Cabanga Iate Clube

Veja também

Fachin determina que governo do Rio justifique operações policiais realizadas na pandemia
rio de janeiro

Fachin determina que governo do Rio justifique operações policiais realizadas na pandemia

Maria da Penha Virtual agiliza pedidos de medida protetiva no Rio
agressão

Maria da Penha Virtual agiliza pedidos de medida protetiva no Rio