Detento solto no feriado é preso ao planejar morte

Reeducando que cumpre pena por homicídio recebeu o benefício da saída temporária, mas foi detido quando se preparava para matar outra pessoa

Prisão de Luan e outras três pessoas foi anunciada ontem pela polícia. O grupo foi flagrado quando transferia armas em carros Prisão de Luan e outras três pessoas foi anunciada ontem pela polícia. O grupo foi flagrado quando transferia armas em carros  - Foto: Julya Caminha

Um reeducando que recebeu o benefício de saída temporária de sete dias foi preso horas depois de ter sido solto. Luan Fillipi Silva de Moura, 26 anos, iria cometer um homicídio, mesmo crime pelo qual está cumprindo pena de 12 anos na Penitenciária Agroindustrial São João (PAISJ), em Itamaracá, Região Metropolitana do Recife (RMR). Ele é um dos 987 presos do regime semiaberto que conseguiram o direito de passar em casa o período de 5 a 12 deste mês.

Todos eles são monitorados por tornozeleira eletrônica, e a saída é assegurada pela Lei de Execução Penal e com o cronograma de saída elaborado e validado pela Câmara de Articulação do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e Secretaria de Ressocialização.

A delegada à frente do caso, titular da 8º DP de Paulista, Natália Araújo, questionou os critérios para a saída de tantos reeducandos, mesmo sendo um direito deles garantido por lei. “Eu falo isso por mim, mas a saída temporária é sinônimo de aumento de violência, isso é inegável. Está acontecendo uma saída massiva de quase mil presos, homicidas. Nós sabemos que o crime se profissionalizou, então os grandes chefes de organizações criminosas comandam de dentro dos presídios, eles determinam os assassinatos de dentro do presídio, então acredito que a lei tem que ser mais firme, as avaliações para as saídas têm que ser mais criteriosas”, opinou. “O que a gente vê é a população insegura, enquanto eles gozam desse benefício, saem muitas vezes para cometer crimes e muitas vezes não voltam.”

Luan saiu da PAISJ na manhã da última quarta, onde o amigo Tiago Alves Correia, 26, que tem passagem na prisão por tráfico de drogas, o aguardava. Tiago estava com o carro da mãe de Luan. Em seguida, os dois se encontraram com Wilson Pereira Porto, conhecido como “Cocada”, 34, que tem ficha policial por tráfico de drogas e furto qualificado, e Sidrak Jose da Silva, 31, cunhado de Luan.

Eles os aguardavam em um outro veículo, na divisa entre Itamaracá e Itapissuma. “Segundo as informações que obtivemos, o intuito do encontro entre o Luan e seus comparsas era sair dali e cometer um homicídio. No momento em que eles transferiam uma pistola de um carro para o outro, foram abordados por nossa equipe”, afirmou a delegada.

A possível vítima não teve seu nome revelado, mas a polícia acredita que ela é um desafeto de Luan. Duas pistolas calibre 380, munição e quatro celulares foram apreendidos. Os dois carros que seriam usados na ação criminosa e três relógios de marca, que não tiveram suas origens comprovadas, também foram recolhidos durante a ação. Os quatro foram autuados por receptação, porte ilegal e associação criminosa e foram conduzidos à 8° delegacia de homicídios de Paulista.

A Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) informou que a triagem dos presos beneficiados pela saída temporária e as diretrizes da escolha são de competência das Varas de Execuções Penais. O Tribunal de Justiça de Pernambuco informou que o benefício da saída temporária é previsto e regulamentado por lei e que o cronograma de saída dos presos é definido pela Câmara de Articulação do Programa Pacto pela Vida.

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