Dia D do maracatu no Recife

Tradicional encontro de nações, neste ano, ocorre um dia antes da abertura oficial do Carnaval da Cidade. Festa começa às 18h desta quinta-feira (8), na rua da Moeda

Tumaraca, tradicional encontro de nações de maracatu no Marco Zero do RecifeTumaraca, tradicional encontro de nações de maracatu no Marco Zero do Recife - Foto: Ed Machado

Fechando o período pré-carnavalesco, o Marco Zero do Recife recebe o tradicional encontro de nações de maracatu. O Tumaraca, como é chamado, acontece às 18h desta quinta-feira (8), cheio de referências a Naná Vasconcelos, líder do evento durante anos, que faleceu em 2016. Cerca de 700 batuqueiros de várias nações de maracatu irão participar. Pela primeira vez, o Tumaraca acontece no encerramento da fase pré-folia.

Tudo começa na rua da Moeda, às 18h, com uma clarinada. De lá, o grupo segue em direção ao Marco Zero. No palco principal, os 13 mestres de maracatu farão uma autorregência, com participações do Coral Voz Nagô, da cantora Isaar e dos cantores Guitinho de Xambá (Grupo Bongá) e Zé Brown - esse último irá misturar suas rimas de rap aos batuques do Maracatu Nação.

Efetivamente, o espetáculo começa por volta das 18h50, com Hino de África do Sul, Saudação aos Orixás e Recife Nagô nas vozes do Coral Voz Nagô. Depois, entra a participação do Bongar, liderado por Guitinho, entoando Saudação a Ogum, Uma Só Nação e Malunguinho. Em seguida, Isaar sobe ao palco para interpretar diversas músicas populares.

Mais cedo, às 16h, a avenida Rio Branco, no Bairro do Recife, será “lavada”. A cerimônia, chamada de Ubuntu, é feita pelos afoxés integrantes do Encontro de Afoxés que acontece no Pátio do Terço, sempre no domingo de Carnaval.

Segundo as tradições, as águas - conhecidas como Omi dentro das comunidades de terreiro - se constituem em elemento fundamental na gênese da vida. Seus sentidos estão ligados à fertilidade, manutenção, renovação e purificação. Quando as águas são misturadas, as Ewé (folhas sagradas) atuam como elemento propiciatório dentro dos rituais de matriz africana, sacralizando e catalisando o Axé.

Ainda hoje, o pátio de São Pedro recebe a última edição do Acerto de Marcha dos blocos líricos, às 19h. Marcam presença os blocos Seresteiros de Salgadinho, Folguedos de Surubim, Lírio da Lira, Lírico Sempre Feliz e o Bloco de Pau e Corda Flor da Lira do Recife.

No Bairro do Recife, a expectativa pela folia já toma conta de tudo. As ruas estão decoradas e as estátuas, que fazem referência ao galo gigante, espalhadas em pontos importantes. Já é possível acompanhar testes e ensaios no Marco Zero. Passista desde pequeno, Djair Júnior, 24, vai participar da abertura da festa recifense. “Os preparativos estão a todo vapor. Ensaio hoje para sexta (a festa) começar com tudo”, contou.

O casal Luiz Nogueira, 24, e Isabelle Silva, 18, também está ansioso para a festa, mas eles confessam que só irão acompanhar os shows do Bairro do Recife. “Galo a gente descartou ir pela insegurança”, admitiu Luiz. Os dois estão gostando do “clima” que toma conta da cidade. “Esse ano a decoração está bem bonita. Capricharam muito”, elogiou Isabelle.

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