Dia do atleta paralímpico a comemorar em grande estilo

Este domingo (22), marca data em homenagem aos atletas portadores de deficiência. Brasil tem excelentes resultados

Delegação nacional quebrou recorde de melhor campanha em ParapansDelegação nacional quebrou recorde de melhor campanha em Parapans - Foto: Ale Cabral/CPB

Comemorado neste domingo (22), o Dia do Atleta Paralímpico tem um gostinho ainda mais especial para o Brasil neste ano. É que o País vem da recente participação histórica nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, com direito a recorde de medalhas conquistadas em uma única edição do evento. No total, foram 308, sendo 124 ouros, 99 pratas e 85 bronzes, superando o que o México havia feito na edição que disputou em casa, em 1999, quando somou 307 pódios, sendo 121 com título.

No Parapan de 2015, em Toronto, os brasileiros haviam somado 257 medalhas, enquanto em Guadalajara, na edição de 2011, foram 197. Nas Paralimpíadas também teve crescimento, saltando de 43 pódios em Londres-2012 para 72 na Rio-2016.

A evolução do Brasil nos quadros de medalhas reflete o trabalho desenvolvido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Na avaliação do secretário executivo de Esportes de Pernambuco, Diego Pérez, a gestão do último presidente da entidade, em especial, rende bons frutos até hoje. “Andrew Parsons implantou um trabalho diferenciado no que se refere à gestão desportiva. Foi uma gestão profissional, participativa e com escolha de profissionais de caráter técnico, além de mais transparência”, destacou Pérez, revelando se inspirar na linha de trabalho do CPB para desenvolver melhor as ações em âmbito local.

“Nós seguimos vários caminhos apontados por Andrew. Não à toa, Pernambuco teve resultados consideráveis, tanto na base como no alto rendimento.” De fato, o rendimento dos paratletas pernambucanos aumentou. No Parapan de Lima, foram 21 medalhas conquistadas por atletas nascidos no Estado, com destaque para os sete ouros de Phelipe Rodrigues, na natação. “Se Pernambuco fosse um país, nós teríamos sido o sétimo colocado no Parapan”, destacou Pérez.

O foco do CPB agora está totalmente voltado para as Paralimpíadas de Tóquio, no próximo. Na realidade, o trabalho que está sendo desenvolvido não começou agora e também não engloba apenas um, mas dois ciclos paralímpicos. O Parapan de Lima serviu como uma espécie de laboratório para lapidar a preparação em busca do Top 5 nos Jogos de 2020. Em paralelo, estão sendo feitas ações diversas no intuito de buscar renovação já visando as edições do Parapan de Santiago, no Chile, em 2023, e da Paralimpíada de Paris-2024, na França.

Os projetos em execução atualmente para recrutar e lapidar jovens são: Festival Paralímpico, com a proposta de apresentar o paradesporto a crianças e adolescentes e abrir uma porta para renovação; Escola Paralímpica de Esportes (projeto de iniciação do Comitê Paralímpico Brasileiro para crianças com deficiência, em São Paulo); Centros de Referência (projeto do CPB que cria núcleos esportivos pelo Brasil com profissionais de referência de algumas modalidades); e Paralimpíadas Escolares (maior evento esportivo para estudantes com deficiência).

As Paralimpíadas Escolares, por sinal, são excelente fonte de descoberta de talentos, com cerca de mil atletas entre 12 e 17 anos competindo anualmente. Entre os nomes já revelados a partir desse evento estão os velocistas Alan Fonteles, ouro em Londres-2012, e Verônica Hipólito, prata na Rio-2016; além de Petrúcio Ferreira, recordista mundial nos 100m (classe T47). O CPB pretende capacitar 100 mil professores de educação física nas escolas até 2025, no intuito de descentralizar o trabalho de desenvolvimento, indo além dos limites do Centro de Treinamento localizado em São Paulo. Inaugurado em 2016, o local oferece estrutura de ponta para atender 15 modalidades e é apontado como um diferencial na preparação dos atletas.

“O CPB apresenta como meta o atleta de alto rendimento. Em função disso, o importante é a gente massificar o esporte paralímpico. Massificando, certamente a gente descobre crianças que praticam atividades físicas, mas não têm informação ou local onde treinar”, apontou Ramon Pereira, coordenador do Desporto Escolar do CPB.

Segundo ele, os resultados dessas estratégias de renovação devem começar a aparecer nos próximos anos. “Os frutos serão colhidos no próximo Parapan. O trabalho iniciou em abril de 2018, deve dar frutos em 2022, e com certeza em 2024, nos Jogos Paralímpicos de Paris”, afirmou. Nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, por exemplo, o Brasil já teve 21% da delegação composta por jovens com idade até 23 anos, alguns deles marcando presença em pódios, como o pernambucano Lucas Carvalho, do tênis de mesa.

Festival
A foi comemorada de forma antecipada pelo CPB, que realizou neste sábado (21) a segunda edição do Festival Paralímpico. De forma simultânea, 70 cidades abrigaram atividades abertas a crianças e adolescentes com idades entre 10 e 17 anos, portadores de deficiência ou não. No Recife, o evento teve como sede o ginásio poliesportivo do Parque Santos Dumont, em Boa Viagem.

Além de festejar a data especial para os atletas, o evento teve como intenção mobilizar os jovens com deficiência e lhes apresentar o esporte. “É muito importante para identificar novos talentos, possibilitar que crianças e jovens conheçam as modalidades e proporcionar um outro olhar da sociedade em relação ao paradesporto”, explicou o secretário executivo de Esportes do Estado, Diego Pérez.

Veja também

Aumento de indicadores da Covid-19 leva Jaboatão a suspender retorno de aulas para educação infantil
Coronavírus

Aumento de indicadores da Covid-19 leva Jaboatão a suspender retorno de aulas para educação infantil

Pela última vez, Trump perdoa peru pelo Dia de Ação de Graças
EUA

Pela última vez, Trump perdoa peru pelo Dia de Ação de Graças