Dia Internacional da Tolerância levanta a discussão sobre o respeito às diferenças

Convivência pacífica de cada comunidade depende de evolução individual dos seus membros

Senador Humberto Costa (PT)Senador Humberto Costa (PT) - Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

Ter que conviver com a diversidade incomoda. São gêneros, raças, religiões e ideais distintos daquilo que somos e acreditamos. É preciso um alto grau de maturidade para aceitar verdadeiramente um outro diferente e enxergá-lo como equivalente. As consequências de as pessoas não evoluírem individualmente são sentidas negativamente pelas minorias. Isso porque, historicamente, elas são vistas mais ou menos como cidadãs a depender do poder político que cada lado - maduros e egoístas - têm naquela sociedade.

“Só queremos ver no outro a cópia de nós mesmos. O homem vive em uma tensão constante entre ser o absoluto que vê a si mesmo em todos os espelhos e abrir mão disso para perceber que há diferenças entre ele e o mundo. Durante seu desenvolvimento psíquico, ele começa a perceber as diferenças anatômicas, de raça, de pensamento, de cultura. Então, o outro diferente o limita, porque faz com que ele não seja tudo o que há. É difícil amadurecer psíquica e socialmente a ponto de aceitar. Tolerar é um primeiro passo, mas ocorre quando ainda se faz um grande esforço para não atacar. É preciso aceitar”, analisou o professor de psicologia da UFPE Sylvio Ferreira.

O conceito trazido pelo psicólogo é abstrato. Mas os efeitos da dificuldade de lidar com a diversidade sempre foram práticas e bem visíveis. “Não há uma evolução no sentido da tolerância. Há momentos em que a força política está de um lado ou de outro. A civilização ocidental, por exemplo, teve dificuldade em reconhecer humanidade em negros e índios”, contextualizou a doutora em História Social pela Unicamp Isabel Guillen.

No Brasil, Canudos foi um exemplo forte de intolerância. A intolerância à religião de Antônio Conselheiro levou Euclides da Cunha a se questionar quem eram os verdadeiros ‘bárbaros’ após a matança. “Na época, as teorias raciais já estavam defasadas na Europa mas ainda explicavam muita coisa por aqui”, contou Guillen.

Para a historiadora, além da luta por tolerância e aceitação cotidiana que as minorias travam, é importante trazer à tona o tema sempre que possível. A intolerância religiosa como tema de redação do Enem deste ano, por exemplo, pode ser visto como vitória. Mas hoje, Dia Internacional da Tolerância, deve ser visto como uma oportunidade para exercitar o olhar sem julgamentos em direção ao outro.

Tolerância é pouco. Quero respeito
Não quero tolerância, eu quero respeito. Tolerar é uma forma de dizer que a minha religião está errada, mas dá para fingir que não. Preciso é que respeitem o candomblé da mesma maneira que eu respeito todas as religiões. Já vieram na porta da minha tenda espiritual e disseram que o diabo estava aqui. Bom, eu sempre respondo duramente a esse tipo de coisa e falei que realmente o diabo estava lá porque a própria pessoa tinha trazido.

Esse tipo de ataque vem da ignorância, porque as pessoas não sabem o que está acontecendo. Mas isso precisa parar. São inúmeros os casos em que fomos desrespeitados. Um filho de santo de Bezerros estava tocando e uma evangélica da vigilância chamou a PM.

A própria instituição já mostra o preconceito quando interrompe um culto religioso e leva os artefatos de um terreiro para a delegacia. Em Brasília, já chegaram a queimar o terreiro. Na praia as pessoas passam e falam sobre cultuarmos o diabo por causa do que cantamos. Chamo sempre para conversar e explicar os significado das letras africanas, que tem a ver, principalmente, com a natureza.”

 

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