Dia Nacional da Mata Atlântica: desmatamento volta a crescer em Pernambuco

Pesquisa aponta que, com supressão de Mata Atlântica, Pernambuco perde o título de estado com desmatamento zero

Desmatamento de Mata Atlântica em Pernambuco aumentou 2,121% na comparação entre os últimos dois biêniosDesmatamento de Mata Atlântica em Pernambuco aumentou 2,121% na comparação entre os últimos dois biênios - Foto: Divulgação

Após cinco anos em queda, entre 2011 e 2015, o desmatamento de Mata Atlântica em Pernambuco aumentou 2,121% na comparação entre os últimos dois biênios. Só entre 2015 e 2016 foram suprimidos 16 hectares em todo o Estado, número alavancado para 354 hectares nos dois anos seguintes. No ranking nacional, essa realidade coloca Pernambuco na sexta posição entre os estados que mais desmataram, segundo aponta os novos dados do Atlas da Mata Atlântica, levantados pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O recorte estadual revela o quão a Mata Atlântica, uma das florestas mais ricas em diversidade de espécies, é também uma das mais ameaçadas do Brasil. Hoje, restam apenas 12,4% da floresta que existia originalmente no País e, desses remanescentes, 80% estão em áreas privadas, segundo a SOS Mata Atlântica. Os dados, avalia a diretora-executiva da SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, são desanimadores, ainda mais quando neste domingo, 27 de maio, o calendário marca o Dia Nacional da Mata Atlântica.

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No caso de Pernambuco, Márcia chamou a atenção para a diferença destoante de desmatamento (16 ha para 354 ha), levando Pernambuco a perder o título de estado com desmatamento zero - considerado assim pela ONG quando o desflorestamento não ultrapassa 100 hectares. “Não esperávamos que os gráficos alertassem para um desmatamento tão grande em Pernambuco, já que em 2015 e 2016 o atlas apontou para apenas 16 hectares. Pernambuco estava indo bem, mas, infelizmente, perdeu o título”, lamentou. Como os dados do atlas são compilados a partir de dados espaciais, as causas que justificam o porquê do resultado não são detalhadas.

Essa resposta, reforça Márcia, quem deve ter são os gestores públicos. “É por isso que iremos encaminhar o levantamento para a gestão ambiental de Pernambuco, para cobrar uma apuração detalhada sobre o que houve”, afirma a diretora reforçando que o combate ao desflorestamento passa ainda pelo respeito às leis ambientais, como o Código Florestal Brasileiro e a Lei da Mata Atlântica (nº 11.428/2006), única a proteger um bioma e que regulamenta a proteção e o uso da biodiversidade e recursos dessa floresta.

A perda do título de desmatamento zero, reconhece o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Carlos André Cavalcanti, obriga o Estado a investigar o que contribuiu para a perda expressiva de 2,121%. Mas o gestor fez ponderações em relação à metodologia utilizada pela ONG. “Em Pernambuco, assim como nos estados que têm Mata Atlântica, há muitas nuvens sobre a vegetação. Como as imagens são aéreas, há uma incerteza entre o que está desmatado ou com vegetação”, analisa, considerando: “Outro ponto em questão é a descentralização da gestão ambiental. Pela CPRH não foi autorizada nenhuma supressão de grande porte. Mas, devemos considerar que 14 municípios têm autonomia para conceder essas licenças”, explicou.

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